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Economia & Negócios  
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Um megarresgate
Salvação do Citigroup e medidas tomadas ao redor do mundo podem colocar a crise em novo patamar

Octávio Costa

foto:dima gavrysh/ap photo

Proteção O grupo que controla o Citibank é "grande demais para quebrar", segundo Wall Street

Com a aprovação do QG do presidente eleito Barack Obama, o governo Bush lançou uma nova ofensiva para enfrentar a crise econômica. A nova rodada de ações de emergência começou no domingo 23, quando o secretário do Tesouro, Henry Paulson, anunciou um plano de resgate para o Citigroup, a terceira maior instituição bancária do país. O banco, que já foi o maior do mundo, passa por graves dificuldades, com prejuízos estimados em US$ 65 bilhões. Suas ações, na semana passada, caíram 50% e o valor de mercado, nos últimos dois anos, desabou de US$ 244 bilhões para US$ 20,5 bilhões. Como sabem as raposas de Wall Street, o Citi é "um banco grande demais para quebrar". "O socorro ao Citi foi necessário para resguardar o sistema financeiro", disse o presidente George W. Bush. O Tesouro americano vai injetar US$ 20 bilhões na instituição e dará garantia a empréstimos do banco no valor de US$ 306 bilhões. Quanto ao futuro das operações do Citi no Brasil, nada foi dito de oficial. Sua filial ocupa o nono lugar entre os maiores bancos do País. Caso resolvam se desfazer do braço brasileiro, não faltam interessados, como o Bradesco e o HSBC. A decisão do governo americano e outras tomadas ao redor do mundo poderão significar um novo patamar no enfrentamento da crise. Na Europa, foram prometidos 200 bilhões de euros em medidas fiscais. No Brasil, o presidente Lula acena para um pacote de incentivo ao consumoe na China foi anunciado o maior corte de juros da história.

Se festejaram a ajuda ao Citi, as bolsas ficaram ainda mais animadas na terça-feira 25, pois Paulson anunciou outro pacote, de espectro bem mais amplo. O Federal Reserve (Fed) lançou dois novos programas de estímulo ao crédito, no total de US$ 800 bilhões. O alvo são mutuários, consumidores e pequenas empresas. Para injetar liquidez no mercado, o Fed vai comprar US$ 100 bilhões em obrigações das agências hipotecárias Fannie Mae, Freddie Mac e FHLB. Em outra frente, comprará dos bancos até US$ 500 bilhões de ativos ligados a hipotecas garantidas pelas mesmas agências do governo, promovendo a limpeza dos chamados ativos tóxicos. Além disso, haverá um programa de US$ 200 bilhões de empréstimo facilitado a instituições que financiarem automóveis, crédito educacional, cartões de crédito e pequenos negócios.

O Fed e o Tesouro acreditam que, a partir dessas medidas, devem cair os juros de hipotecas e do crédito ao consumidor, que haviam subido como reflexo do enxugamento do crédito. Segundo analistas, o Fed e o Tesouro, com o pacote, assumem para si o risco de crédito, desonerando o setor privado. Para The Economist, o Fed abandonou a cartilha ortodoxa.

 

28/11/2008


 
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