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O despertar da criatividade
Novos estudos revelam como nascem as idéias originais e as melhores estratégias para o desenvolvimento desse potencial

Mônica Tarantino

FOTOs: Frederic Jean/ag.isto é; FABIAN O CERC HIAR
Silêncio para a imaginação
A aparente tranqüilidade de Maria Piedade, seis anos, esconde um turbilhão criativo. Quando está na escola ou em casa, a garota pinta telas e desenha com muita desenvoltura. Os resultados chegam a surpreender a mãe, a iluminadora de espetáculos Marisa Bentivenha. "Fico quieta imaginando as coisas", diz Maria.

Em um mundo que pede cada vez mais criatividade para resolver com sucesso seus milhares de problemas, a ciência está empenhada em descobrir o que leva a mente humana ao insight - aquele belo momento em que as peças do quebra-cabeça se encaixam e uma nova solução aparece como se estivesse apenas esperando um chamado. A boa notícia é que, a contar pelos resultados de pesquisas recentes, a capacidade de gerar pensamentos criativos é algo possível a todos. Ela pode ser estimulada a partir de uma feliz combinação de estímulos dados na hora certa, personalidade e uma boa habilidade de observação e de retenção de dados. Afinal, está confirmado que nutrir-se de informações variadas é a grande matéria-prima da criação. "Criatividade é apenas conectar coisas, e as idéias mais originais são aquelas que juntam conceitos diferentes entre si. Por isso, o melhor para ser mais inventivo é explorar o mundo. E, enquanto estiver aprendendo, prestar atenção ao modo como isso acontece", disse à ISTOÉ o psicólogo Keith Sawyer, da Universidade de Washington (EUA). "E quebre as regras. Veja o que acontece se fizer algo ao contrário. A única falha em inventividade é não tentar nada novo", completa Robert Root-Berstein, da Universidade de Michigan (EUA).
Essas conclusões estão baseadas em estudos feitos para decifrar as bases da engenhosidade no cérebro e os comportamentos que a fazem aflorar. Algumas das informações mais importantes foram extraídas de trabalhos que usaram aparelhos de exame de imagem para flagrar o cérebro trabalhando em tempo real no momento da criação. "Essa possibilidade de olhar como o processo está ocorrendo é fantástica. Chegamos a uma nova forma de mapear a atividade cerebral que está levando a novos entendimentos sobre o assunto", explica o neurologista Ivan Okamoto, do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo.
Um exemplo do que diz o brasileiro foi a pesquisa dos cientistas Charles Limb, do Instituto Nacional de Saúde, e Allen Braun, da Universidade Johns Hopkins - ambas instituições americanas. Os dois descobriram que, na hora do insight, o cérebro liga algumas áreas e desliga outras. Para chegar a isso, estudaram as alterações no cérebro de seis músicos de jazz no exato momento da improvisação. Os cientistas viram uma diminuição da atividade no córtex pré-frontal dorsolateral e a elevação da função no córtex pré-frontal medial. Conclusão: na hora de criar, o cérebro tira de campo o setor que controla a adequação das ações ao ambiente e que antecipa e planeja como devemos nos comportar a cada momento. Uma área solicitada, por exemplo, quando escolhemos as palavras certas para conseguir aprovação numa entrevista de trabalho. A novidade impressionou pesquisadores. "É surpreendente saber que existe um padrão bipolar: a desativação de importantes regiões durante uma atividade criativa, ao lado de outras fortemente ativadas", disse o neurocientista Roberto Lent, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Tempo livre
Apontado como um dos mais inventivos nomes da nova música paulista - sua banda, Cérebro Eletrônico, excursionou pela Europa e foi uma das atrações do Tim Festival deste ano -, Tatá Aeroplano diz que procura deixar a mente livre para as idéias aparecerem. "Muitas vezes, elas surgem durante as caminhadas. Eu ando muito", diz. Uma dessas "sacadas" foi incluir o som de brinquedos nas suas composições.
Cardápio divertido
Inventar é com o empresário luis Hirata (de branco). Quem freqüenta seu restaurante, o Koi, em são paulo, nunca encontra o mesmo cardápio. sempre cheio de boas idéias, ele desenvolve pratos que atraem até mesmo quem não aprecia a culinária japonesa. e para manter a produção ele investe no bom humor da equipe. "Faço concursos internos para estimular a criatividade. o resultado são muitas novidades que vão parar na mesa do cliente", diz.

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21/11/2008


 
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