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DESIGN E INOVAÇÃO Montadoras, como a Fiat, apresentaram carros-conceito no Salão, que deve atrair mais de 620 mil pessoas ávidas para conhecer as novidades de uma indústria que pisa no acelerador |
Durante dez dias, o Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo, será a meca dos maiores desejos do homem. Logo na entrada, belas mulheres com vestidos que esbanjam decotes chamam a atenção do público para três supermáquinas vermelhas da Ferrari. Nem seria necessário exagerar nos decotes. O público, atordoado, não sabe para onde apontar as lentes das máquinas fotográficas. O jeito é colocar o carro e a mulher numa foto só. Para onde quer que se olhe, o evento mostra que esse é o salão da opulência, retrato de um setor que não pára de superar seus próprios recordes, mesmo diante dos sinais de esfriamento da economia mundial e escassez da oferta de crédito. Pela primeira vez, o Salão do Automóvel de São Paulo entra para o grupo de elite da indústria automobilística mundial. Nesta edição, as marcas apresentarão aos mais de 620 mil visitantes lançamentos que em outros tempos desembarcariam por aqui com defasagem superior a seis meses. E a crise? Não é o que está na ordem do dia na indústria automotiva. Ao abrir as portas do Anhembi na quinta- feira 30, o suntuoso Salão do Automóvel deu início a uma temporada de boas notícias na contramão do pessimismo global. Tudo para coroar o melhor ano da história do setor no País, que deve encerrar 2008 com mais de três milhões de unidades produzidas e garantir às montadoras o título de locomotiva da economia nacional. No Salão, entre tantas novidades de encher os olhos, são os próprios executivos e presidentes das 38 marcas que vendem o otimismo. Cara a cara com o consumidor, eles garantem a manutenção dos investimentos e anunciam as medidas que serão adotadas para evitar uma possível desaceleração do consumo interno. "Redução de vendas? Nunca", disse, sorridente, o presidente da Volkswagen do Brasil, Thomas Schmall, sobre o futuro do mercado brasileiro. Ele acabou de voltar da matriz na Alemanha, onde pediu um reforço para os R$ 3,2 bilhões de recursos previstos até 2011 para o desenvolvimento de novos produtos. A resposta virá em semanas. "Não podemos olhar para o que vai acontecer na semana que vem nem temer as oscilações. Temos de nos planejar para o longo prazo."

Parece até que o discurso foi ensaiado. O diretor de assuntos corporativos da Ford, Rogelio Goldfarb, avalia que a crise internacional não prejudicará a performance do setor nos próximos meses graças às medidas já adotadas pelas empresas. "Temos confiança nos fundamentos da economia e na capacidade de gestão das empresas. É natural que as incertezas causem receios, principalmente nos consumidores. Não podemos subestimar a crise nem temer um ambiente que não existe. Apesar da cautela, o Brasil passará bem por esse momento", afirma. O otimismo se justifica. Em setembro, as vendas de veículos cresceram 31,7% em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo a associação que representa as montadoras, a Anfavea. O executivo da Ford garante que o setor criou mecanismos - como a antecipação das férias coletivas, para controlar os estoques - que impedirão as montadoras de se contaminarem pela crise externa.

"Estamos acompanhando de perto as movimentações e, por isso, podemos afirmar que não há nenhum sinal de contaminação", completou Goldfarb. Nesse mesmo caminho, o presidente da General Motors, Jaime Ardila, disse que o comportamento da economia doméstica nos próximos três meses será determinante para saber qual o rumo do setor em 2009. "Tudo dependerá do crédito. Se não faltar, as vendas continuarão em alta. Se o mercado secar, aí sim há riscos de recessão."
A confiança das montadoras brasileiras ficou mais evidente depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmar, na quarta-feira 29, que os bancos estatais podem socorrer as financeiras ligadas à indústria automobilística que estejam em dificuldades. "Não interessa a ninguém falta de crédito. Perdem os consumidores, perde o setor automotivo. Faremos o que for possível para irrigar a economia", garantiu ele. O governador José Serra endossou a promessa de socorro, caso seja necessário. "A Nossa Caixa vai entrar nesse processo para financiar os consumidores, inclusive conversando com as montadoras e financeiras das montadoras para impulsionar a produção." Na mesma ocasião, o presidente da Anfavea, Jackson Scheneider, reforçou a necessidade do crédito para manter a pujança da indústria automobilística. "Neste momento de desafios, a irrigação e a liquidez permanente do crédito são fatores capitais para a indústria automobilística brasileira. O crédito movimenta nossas vidas. Qualquer constrangimento precisa ser combatido. Se isso acontecer, não teremos problemas", afirmou.
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