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Medicina & Bem-estar
Como vencer os inimigos da sua dieta
A ciência explica as principais armadilhas que levam o regime ao fracasso e aponta as estratégias mais eficientes para fugir delas

Cilene Pereira e Mônica Tarantino

Fim do sedentarismo
A veterinária Daniele Lautenschalaeger, 32 anos, sabe bem como o sobrepeso impacta na auto-estima. Ela chegou a pesar 88 quilos. Sentia-se mal ao experimentar roupas ou ir à academia. "Tinha vergonha. As pessoas me olhavam diferente", lembra. Um programa de emagrecimento a ajudou a perder 31 quilos. Cresceram a confiança e a coragem de começar a se exercitar.

A falha trágica é que quase ninguém percebe isso, como revelou um trabalho publicado na revista da Associação Dietética Americana. Uma comparação entre as porções consumidas por 177 adultos - e por eles consideradas normais - com o tamanho das porções de uma pesquisa feita há 20 anos revelou a falta de noção do que se está comendo. Entre outras constatações, viu-se que os voluntários serviram a si mesmos cerca de 20% a mais de sucrilhos e tomaram uma porção de suco de laranja 40% maior do que há duas décadas. Só o suco foi responsável por um aporte de 50 calorias adicionais, o que, ao longo de um ano, somaria dois quilos a mais.

Mesmo quem consegue se defender dos exageros do fast-food e dos restaurantes pode tropeçar nos supermercados. Ir às compras, acredite, pode se tornar um jogo perigoso. A variedade, as promoções e as degustações atiçam a vontade de levar para casa verdadeiras bombas calóricas. Principalmente se você for com fome. Aí, a guerra está perdida. "Fazer compras sem uma lista do que se quer pode ser suficiente para levar mais de cinco mil calorias adicionais para casa sem notar. Portanto, não vá sem um roteiro claro do que realmente precisa", diz Sônia Almeida. Devese ficar atento também ao consumo por impulso, movido pela emoção.

"Uma pessoa pode entender bem de nutrição, saber o que é saudável, mas pode tomar decisões erradas se não perceber os sentimentos associados à compra", afirmou à ISTOÉ David Hardesty, da Universidade de Chicago (EUA) e autor de trabalho sobre o assunto divulgado no Journal of Consumer Research. "Na maioria das vezes, a compra é feita para compensar algo que incomoda. Os obesos conscientes disso fazem escolhas mais inteligentes", diz.

Fora de controle
O estudante Daniel Ghigiarelli, 25 anos, é refém das porções exageradas. Independentemente do tamanho, começa a mastigar e só pára depois de comer tudo. "Sou muito impulsivo. Simplesmente abro um saco de jujubas, que é bem grande, e só me dou conta do tanto que comi quando chego ao fim. Agora, também não tenho conseguido resistir a suspiros."

Um dos temas mais pesquisados atualmente, o peso das emoções para o sucesso ou fracasso de um regime é evidente. E hoje está provado que não são apenas os momentos de fragilidade emocional que podem minar o empenho para se entrar na linha. "As mudanças de rotina também têm atuação", afirma a nutricionista Madalena Vallinoti, de São Paulo. Fala-se aqui de situações felizes, como férias ou fins de semana de descanso, e de momentos conturbados, como troca de emprego e reforma da casa. "Tudo isso pode ter a força de um tsunami", diz o psiquiatra Arthur Kaufman, coordenador do Projeto de Atendimento ao Obeso, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Na Universidade Leeds, na Inglaterra, pesquisadores deram uma mostra desse poder. Num estudo com homens e mulheres submetidos a stress no trabalho, eles verificaram que especialmente as mulheres tendem a pular refeições e optar por lanches ricos em açúcar e gordura nessas condições. Entre as situações que mais induzem as pessoas a esse erro estão a necessidade de fazer uma apresentação, conflitos com colegas e uma reunião com o chefe.

A falta de sono - comum em situações de alteração de rotina e de conflitos emocionais - agrava o quadro. Primeiro, porque os indivíduos ficam mais cansados e preferem recorrer a pratos prontos ou a fast-food.

"Estas refeições exigem menos esforço", diz Mindy Engle-Friedman, da Universidade de Nova York. Depois, porque está comprovado que dormir pouco engorda mais também por razões biológicas. "Muitas pesquisas demonstram a ligação entre o sono e caminhos neurológicos que regulam a ingestão de alimentos", diz Daniela Jobst. Um desses estudos, feito pela Universidade de Colúmbia (EUA), concluiu que quem dorme quatro horas ou menos por noite tem 73% mais chances de engordar.

Por fim, as pesquisas indicam que a discriminação com que boa parte da sociedade trata os obesos - e como eles respondem a essa pressão - configura um dos mais complexos obstáculos ao sucesso de um plano de emagrecimento. Neste mês, cientistas do Centro de Pesquisa em Obesidade e em Educação da Universidade de Temple (EUA) anunciaram um trabalho no qual revelam que a vergonha do corpo, o medo dos olhares críticos e do fracasso diante dos outros estão entre os principais motivos que levam mulheres obesas a permanecer sedentárias. "Para muita gente, isso pode parecer mera desculpa. Mas para elas são problemas reais", afirmou Melissa Napolitano, autora da pesquisa. Vistos de uma perspectiva geral, todos esses estudos permitem concluir que domar o peso é uma guerra muito mais ampla do que se pensava.

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5/11/2008


 
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