|
Autor do longa-metragem Andarilho, que nesta semana entrou em circuito em São Paulo e em breve estará no Rio de Janeiro, Cao Guimarães é um criador passível de múltiplas definições. Ele é ao mesmo tempo um fotógrafo que chegou ao cinema trilhando o caminho das artes visuais e um cineasta que edita seus filmes em forma de videoinstalações. Atualmente, duas delas estão no Museu da Pampulha, em Belo Horizonte. "Quando era adolescente, sonhava em virar cineasta. Só que fazer cinema não era simples. Continuei exercitando formas de expressão solitárias, como a fotografia e a literatura. Apenas com a revolução digital e o barateamento dos custos do exercício cinematográfico pude começar a fazer o que chamei de 'cinema de cozinha', em que eu participava de praticamente todas as etapas dos filmes, feitos quase literalmente na cozinha de minha casa", conta.
 |
Nascido em Belo Horizonte há 42 anos, Guimarães é um artista andarilho, que transita por três realidades: o circuito da arte, os festivais de cinema e o mundo real, de onde extrai toda a sua poética. Ele tem obras em acervos de museus importantes, como a Tate Modern e o Guggenheim, e já participou de algumas bienais. Mas é a primeira vez que coloca um filme em circuito comercial. Andarilho é um filme de estrada, que acompanha as trajetórias de três caminhantes, mas não é uma história contada de forma convencional. Para o artista, no entanto, abdicar da narrativa linear que padronizou a linguagem do cinema não o afasta do grande público. "Quero crer que o público não é convencional. Um filme tem que ser uma obra aberta e o espectador deve ser considerado quase como um co-autor. Andarilho é um filme feito para espectadores ativos, que queiram criar um certo turbilhão interno, que queiram reinventar o filme", afirma. |