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Cultura  
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Biografia de um canastrão
Obra revela que Ronald Reagan, em sua fase de ator, foi rejeitado até pelas mães das crianças que atuavam com ele - e que sua mulher pediu-lhe para desistir da carreira

Joice Tavares

NO PODER E NO FRACASSO Ronald Reagan em seu escritório, na Casa Branca, como presidente dos EUA (à esq.), e num dos inúmeros faroestes de qualidade duvidosa dos quais participou ao longo das três décadas em que teimou em ser um astro de Hollywood

Quando a famosa atriz Shirley Temple, ainda criança, foi escalada para trabalhar ao lado do então ator Ronald Reagan (1911-2004) no filme That hagen girl, na década de 30, sua mãe e empresária, Gertrude Krieger, teria relutado em aceitar o convite, alegando que isso seria o fim da promissora carreira de sua filha. Reagan tinha péssima fama, era tido como canastrão e só fazia comédias tolas ou personagens secundários em filmes B (produções baratas e de qualidade duvidosa). Essa faceta do ex-presidente americano, pouco explorada em outras biografias, é agora abordada no recém-lançado Reagan: the Hollywood years (Harmony Books, 375 págs. US$ 25,95), de autoria de Marc Eliot, escritor especializado em retratar a vida de celebridades (escreveu, sobre Cary Grant e Bruce Springsteen). Na verdade, Reagan só partiu para a política porque três décadas insistindo no cinema não deram certo. Mas isso teve um lado positivo: ajudou-o a formar uma personalidade carismática e persuasiva, traços que o levaram à Presidência dos EUA, em 1980 (dois mandatos consecutivos).

“Para entender o homem é preciso entender o ator”, escreve Eliot. Ele relata que, após atuar em grandes fracassos (como os filmes Knut Rockne e All american) e numa diversidade de faroestes, Reagan recebeu da atriz Jane Wyman, sua esposa à época, a sugestão de “tentar algo novo”. Foi assim que ele chegou ao Screen Actors Guild, o sindicato dos atores, e tornou-se o seu presidente em 1947. Nessa passagem, Eliot descreve a mudança ideológica do ator, que era democrata e virou republicano após se tornar amigo de Lew Wasserman, o poderoso agente da MCA (agência que se transformaria na Universal Studios). Reagan estava então a um passo de dar a guinada definitiva de seu destino. Aceitou ser o garoto-propaganda da General Electric, trabalho que lhe permitiu viajar e discursar para milhares de trabalhadores em todo o país. Rendeu-lhe, enfim, popularidade. Segundo o biógrafo, ao afastar-se de sua obscura carreira de ator, Reagan finalmente conquistou o papel insuperável em sua vida: o de presidente.

Fotos: Michael Evans/The White House/Getty Im ages; Divulgação

 

19/9/2008


 
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