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Chega de paulista
O músico do Barão Vermelho diz que está na hora de São Paulo sair do comando do País e que não agüenta mais ver a esquerda se fingir de honesta

por Adriana Prado e Renata Cabral

alexandre santanna, shutterstock e haroldo abrant

Menos rock’n’roll, mais pop e romance. Hoje, aos 46 anos, esse é Roberto Frejat, vocalista da banda Barão Vermelho. De férias do grupo pela segunda vez (ele desmente o término do conjunto que já teve Cazuza como líder), Frejat tem planos de ingressar na política para “chacoalhar uma sociedade omissa, incrédula e inerte”. Segundo ele, a sua “consciência social” vem da infância, por conta da influência de seu pai, o ex-deputado federal José Frejat. Há 12 anos anulando o voto nas eleições para prefeito do Rio de Janeiro, sua cidade natal, agora, em 2008, vai votar no candidato Fernando Gabeira. Decepcionado com o governo Lula, espera que o próximo presidente da República não seja de São Paulo “para acabar com a dinastia paulista no comando do País”. Morando no bairro carioca do Arpoador, que abrigou o Circo Voador na década de 80 e apresentou o Barão Vermelho ao Brasil, ele se ocupa, no momento, além da política, com o lançamento de seu terceiro álbum solo, Intimidade entre estranhos.

ISTOÉ – Sua fase de sexo, drogas e rock’n’roll acabou?
Roberto Frejat – Tenho uma sexualidade muito tranqüila, fiz o que gostaria de fazer. Em relação ao rock é a mesma coisa. Quanto às drogas, já usei de tudo, não tenho mais idade. Devo dizer que não me lembro de experiências negativas com drogas. E lá em casa, com exceção da dificuldade de minha mãe aceitar que eu fumasse maconha quando garoto, também não tive maiores problemas. Mas não digo para todo mundo usar. Vi muita gente ter viagens ruins ao meu lado.

ISTOÉ – Defende a legalização do consumo?
Frejat – Não se pode mais tratar a questão das drogas do jeito que se fazia quando eu era adolescente. A droga era algo que a gente usava para a expansão da consciência. Hoje, virou um grande comércio, um dos maiores, inclusive. É impossível para qualquer país combater um negócio como esse. É uma guerra inútil. É muito melhor tratar o desvio, o descaminho que ela pode causar para algumas pessoas.

ISTOÉ – Como?
Frejat – A venda deveria ser controlada e os impostos investidos na saúde. O dinheiro da venda de cigarro e de bebida, que são drogas muito poderosas e podem causar tantos danos quanto a cocaína, não é revertido para o tratamento de vítimas de câncer de pulmão ou de alcoolismo. Se os impostos arrecadados com a venda de drogas fossem direcionados a centros de tratamento de dependência, por exemplo, teríamos um grande financiamento para a saúde pública. O usuário chegaria à farmácia e assinaria um documento, como acontece com os medicamentos de tarja preta. Essa questão é muito grave, mas eu posso ser preso por apologia ao uso de drogas apenas por defender essa opinião. Temos esse nível de tacanhice na discussão.

ISTOÉ – Como fala de drogas com seus filhos?
Frejat – No momento em que eles quiserem conversar sobre isso, eu estarei disposto. Se eu começasse a tocar no assunto chamaria a atenção de uma maneira errada. Com a experiência que tenho, posso passar para eles informações mais confiáveis, a partir das quais poderão construir sua própria forma de lidar com as drogas. Não posso impor nada, a não ser que eles entrem num caminho perigoso. Fora isso, eles têm direito de fazer o que acharem melhor. Mas se meu filho de 12 anos quisesse experimentar, eu diria que acho melhor começar um pouquinho mais tarde, porque é preciso certa estrutura psicológica.

ISTOÉ – Já escolheu candidato para a Prefeitura do Rio de Janeiro?
Frejat – Há pelo menos 12 anos voto nulo para prefeito do Rio de Janeiro, pela ausência de um candidato digno. Agora tenho um candidato, que é o Fernando Gabeira (PV-PSDB-PPS), e vou fazer campanha para ele. Mas nunca deixei de votar para nenhum candidato do Legislativo.

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12/9/2008


 
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