O exemplo mais claro dessa verdade obtido até agora foi a descoberta da diferença de atuação dos ácidos ômega-3 e ômega-6. Presentes em nozes, óleos vegetais e peixes, como a sardinha, as substâncias têm sido saudadas como fortes aliadas da saúde cardiovascular. E de fato são. Porém, não para todos, como mostrou um estudo do pesquisador Ordovas. No trabalho, ele analisou as respostas de 755 homens e 822 mulheres ao consumo dos compostos. "Até este estudo, acreditava-se que todos que adotassem uma dieta rica em ômega-3 e 6 aumentariam os níveis do bom colesterol", afirma a bióloga Lucia Ribeiro, coordenadora da Rede Brasileira de Nutrigenômica. "Mas, depois dos resultados, viu-se que não é bem assim." De fato, Ordovas observou que mulheres portadoras de uma variação no gene APOA1 podem ter uma resposta oposta. Ou seja, nelas, em vez de o bom colesterol ser elevado com a ingestão dos ácidos, ele despenca.
No Instituto de Ciências Biomédicas da USP, em São Paulo, outro trabalho indica mais uma conclusão interessante a esse respeito. O grupo coordenado pelos cientistas Rui Curi e Renata Gorjão descobriu que o DHA e o EPA, dois ácidos graxos da família dos ômega-3, têm atuação diferente em relação à inflamação. "Nos experimentos, o EPA reduziu a expressão de proteínas associadas às respostas imunitárias e inflamatórias. O DHA, por sua vez, não teve o efeito esperado ou até elevou a ação dessas proteínas", diz Curi.

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