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Editorial  
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Classe média emergente
CARLOS JOSÉ MARQUES

ANDERSON SCHNEIDER

Os números apontam: o Brasil se descobre agora como um país de classe média. Ela já é maioria absoluta na população. Pelos dados da Fundação Getulio Vargas, a classe média – consideradas na conta aquelas famílias com renda entre R$ 1.064 e R$ 4.591 – já corresponde hoje a 51,9% do total. A geração de mais empregos com carteira assinada empurrou para esse clube um total de 4,4 milhões de brasileiros nos últimos seis anos. O Ipea registrou, por sua vez, numa pesquisa simultânea à da FGV, que a proporção de pobres e miseráveis nas seis maiores regiões metropolitanas do País caiu de 35% para 25% nesse período. O que isso significa na prática? Que a roda do desenvolvimento começa a girar de forma mais equilibrada, distribuída entre várias camadas da sociedade. Vantagens dessa onda: surgiram novos consumidores, ampliando o leque da indústria, do comércio e de serviços. Apareceram mais investimentos e a poupança interna vai seguindo em regime de engorda. É a redistribuição de renda ocorrendo na prática e produzindo um ambiente de crescimento econômico sustentável para os próximos anos. Como prega o ditado, não é ideal concentrar todos os ovos na mesma cesta e a desconcentração da riqueza do País segue a lógica para propiciar um ambiente social mais saudável. Para se ter uma idéia, a ascensão social atingiu 32% dos miseráveis brasileiros, como são classificados aqueles que vivem com menos de um salário mínimo. Especialistas apontam que o passo seguinte nesse ciclo virtuoso é o incremento do nível educacional e do tipo de trabalho ofertado – já que até aqui ele vinha sendo produzido em boa parte na economia informal, em alguns casos sem direitos garantidos aos empregados. Curioso notar também que esse aumento da riqueza não ocorre mais de maneira geograficamente concentrada. São Paulo, por exemplo, tido como o motor econômico do Brasil, experimentou uma redução percentual no número de ricos – que desceu de 52,2% para 50,9% no comparativo das seis regiões pesquisadas. No Rio, o Ipea calculou que mais de meio milhão de pessoas deixaram a condição de pobreza. Em Salvador, o índice de recuo da quantidade de pobres foi de 37,4%, um dos maiores do País. De maneira homogênea, o Brasil inteiro sente as vantagens de ter mais cidadãos com poder de compra. Assim se constrói um país desenvolvido.

CARLOS JOSÉ MARQUES,
DIRETOR EDITORIAL

 

8/8/2008


 
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