Às margens de um rio, próximo à rodovia BR-153 em Goiânia, a mala jogada ao léu. Batia-lhe um pouco de água, fazia-lhe sombra uma árvore. Dentro dela o pedaço de um tronco. Em outro ponto da cidade, um moço de 20 anos olha a foto de uma mulher em seu celular. Olha os braços e as pernas, olha a cabeça, olha o tronco, e o tronco que ele olhava era o tronco que estava na mala - parte do corpo da estudante inglesa de 17 anos Cara Marie Burke, assassinada e esquartejada no sábado 26 pelo seu namorado, o moço do celular, no boxe do apartamento onde moravam. Conheciam-se há três meses. Foram 17 facadas, a que atravessou o coração cravada pelas costas. Ele foi preso na quinta-feira 31 e cinicamente tentou justificar o crime dizendo que Cara ameaçou contar ao seu pai, que mora em Londres, que ele é viciado em cocaína. As pernas, os braços, a cabeça e o restante do tronco da moça foram lançados às águas que correm sob a ponte de Bonfinópolis. Foi o seu celular e as fotos que diretamente o incriminaram. Ele se chama Mohamed D'Ali dos Santos Filho. Enquanto o corpo de Cara ficou no boxe, ele foi a uma festa.