ISTOÉ - Independente
   
  EDIÇÃO ATUAL
  EDIÇÕES ANTERIORES
  ESPECIAIS
   
   
  CAPA
  REPORTAGENS
  CIÊNCIA & TECNOLOGIA
  BRASIL
  COMPORTAMENTO
  MEDICINA & BEM ESTAR
  MEIO AMBIENTE
  ECONOMIA E NEGÓCIOS
  CULTURA
  COLUNISTAS
   
   
  EDITORIAL
  ENTREVISTA
  A SEMANA
  GENTE
  EM CARTAZ
  OPINIÃO & IDÉIAS
  SEU BOLSO
  BASTIDORES
   
   
  FALE CONOSCO
  EXPEDIENTE
  ANUNCIE
  ASSINE ISTOÉ
  LOJA 3
   
   
 



Brasil  
Imprimir
 
Campanha eleitoral atrás das grades
De dentro das celas, três candidatos a prefeito tentam ganhar votos

CAMILA PATI

RAFAEL VON ZUBEN/JORNAL DE VINHEDO
CAMBURÃO Candidato em Vinhedo, Milton Serafim foi preso em 4 de julho

Na cidade de Mariana, em Minas Gerais, dois candidatos polarizam a disputa pela sucessão municipal: Francisco Assis Carneiro (PMN) e Terezinha Ramos (PTB). O primeiro, conhecido como “Chico da Farmácia”, é bastante conhecido pelo eleitorado. O mesmo não se pode dizer de Terezinha. Ela é viúva de João Ramos, esse, sim, um ex-prefeito bem popular, assassinado em 15 de maio. Chico da Farmácia é o principal acusado pelo crime. É curioso que uma viúva dispute votos com o suspeito de ter matado seu marido, mas, em razão do que prevê a legislação eleitoral brasileira, a disputa em Mariana se torna ainda mais polêmica. Chico da Farmácia está na cadeia desde 31 de maio e mesmo assim conseguiu registrar sua candidatura. De trás das grades ele traça os planos para colocar a campanha na rua e já contratou marqueteiro. “Estamos sofrendo muito com isso tudo. Para prendê-lo, foi feita uma megaoperação com cerca de 50 policiais e até helicóptero”, reclama Paula Carneiro, filha do candidato encarcerado. “Ele é inocente”, diz Paula.

Os parentes e correligionários de Milton Serafim (PTB), candidato à Prefeitura de Vinhedo, no interior paulista, também asseguram que ele é inocente. Serafim já foi duas vezes prefeito. Foi eleito em 1996 e reeleito em 2000. Durante suas gestões, foi acusado de ter recebido propinas em troca da aprovação de loteamentos na cidade e responde a dois processos. Um deles é civil e nesse já foi condenado por improbidade administrativa pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, em decisão ainda passível de recurso. O outro processo é criminal. Nele, Serafim é acusado de formação de quadrilha e concussão (a corrupção praticada por funcionário público). É por causa desse processo que o candidato está preso preventivamente desde 4 de julho. “Os diretórios municipal e estadual do PTB apóiam Serafim incondicionalmente”, diz Jaime Cruz, candidato a vice-prefeito pelo PV. Apesar da propalada força política, o promotor Osias Daudt espera impedir que Serafim dispute votos. Na terça- feira 15, ele entrou com um pedido de impugnação da candidatura no Tribunal Regional Eleitoral.

"Para prendê-lo, foi feita uma megaoperação com cerca de 50 policiais e até helicóptero"
Paula Carneiro, filha de Chico da Farmácia (foto)
PAULA PASSOS/AG. ISTOÉ

Em Alagoas também há um candidato a prefeito que pede votos mesmo estando preso. Trata-se de Luiz Carlos Costa (PRB), que pretende governar o município de Delmiro Gouveia. Como é hipertenso, ele não está na cadeia e sim em uma cela improvisada no Hospital dos Usineiros, em Maceió. Costa, conhecido como “Lula Cabeleira”, é acusado de tramar a morte do vereador Fernando Aldo, em outubro de 2007. “Durante a campanha todos saberão que ele é inocente”, promete Ziane Costa, filha de Lula Cabeleira e candidata a vice do pai. Pode até ser que Costa seja inocente no caso da morte do vereador, mas da acusação de nepotismo será difícil escapar, caso seja eleito levando sua filha como vice.

Casos como esses só são possíveis porque a legislação brasileira não impede a candidatura daqueles que tenham problemas com a Justiça, a não ser que o cidadão tenha sido condenado criminalmente em última instância. A legislação vem sendo duramente criticada, inclusive pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Ayres Brito. Mas qualquer mudança precisa ser feita pelo Congresso e, também lá, muitos estão com problemas judiciais. Enquanto isso não muda, cabe ao eleitor fazer o juízo final. Em alguns casos, é grande o risco de se votar em alguém e acabar elegendo o vice para tomar conta da cidade.

 

23/7/2008


 
Receba as informações de Isto É semanalmente em seu e-mail:
 
 
 
 
 
 




 
 
 
 
 
   
 
Imprimir

   
       

© Copyright 1996-2008 Editora Três
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.

ContentStuff - Media Solutions