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DESPEJO Elizabeth Oliveira perdeu a sede de seu projeto com adolescentes grávidas |
Um dos trabalhos no Catete era dar suporte ao Projeto Ex-Cola, ONG que reconcilia adolescentes grávidas com suas famílias. Despejada, a organização foi para um espaço doado por um grupo cultural na Lapa, que só pode ser usado um dia por semana. “Estamos atordoados, esperando que a arquidiocese diga o que aconteceu. Do dia para a noite, ficamos sem lugar”, diz a coordenadora da ONG, Elizabeth Oliveira. Já a igreja do Rio sustenta que a Casa do Catete estava em total abandono, com dívidas contraídas pela pastoral.
Érika Glória, da Pastoral das Favelas e também demitida, diz que continuará a se dedicar como voluntária a defender as famílias ameaçadas de despejo. A entidade atua em 30 comunidades e as reuniões eram no térreo do Edifício João Paulo II, na Glória, sede da arquidiocese, junto com a Pastoral dos Trabalhadores. Outro marco demolido por dom Eusébio foi o conjunto de salas construído por dom Eugênio nos jardins do Palácio São Joaquim, também na Glória, para receber e dar assistência a refugiados políticos. Embora convivesse bem com os golpistas de 1964 no combate ao “perigo comunista”, dom Eugênio se notabilizou por abrigar perseguidos por várias ditaduras, inclusive a brasileira. “Dom Eusébio demoliu essa história para ampliar o jardim, derrubou as salas e transferiu os serviços para uma unidade na zona norte”, lamenta Cunha.
A indignação com a chegada do neoliberalismo à administração da arquidiocese tende a aumentar, caso se confirmem os indícios segundo os quais a igreja carioca alugará o espaço térreo do Edifício João Paulo II, para uma agência bancária. A FGV estuda também reduzir o número de andares ocupados pela entidade (sete). O edifício foi inaugurado por dom Eugênio em 1980.
A divergência chegou à academia. O teólogo Paulo Fernando Carneiro de Andrade, da Pontifícia Universidade Católica do Rio, avalia como positiva a atuação de dom Eusébio. “Depois de 30 anos, algumas ações precisavam ser renovadas. Vejo mais atenção às pastorais”, diz o teólogo. Miguel Baldez, professor de direito da Universidade Cândido Mendes e assessor voluntário da Pastoral das Favelas, discorda. “Não renovou nem ampliou coisa alguma. Dom Eugênio criou as pastorais há mais de duas décadas e dom Eusébio está extinguindo”, afirma. Pior, para Baldez, é entregar o serviço à prefeitura, “que sempre está do lado oposto, tentando desalojar famílias para abrir espaço à especulação imobiliária”.
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O papa Bento XVI pode acabar com a briga. Ao completar 75 anos de idade, em dezembro do ano passado, dom Eusébio encaminhou ao Vaticano uma carta pondo o cargo à disposição, conforme manda o Código de Direito Canônico. Com uma ressalva, segundo Cunha, que agora assessora dom Eugênio de forma voluntária. “Dom Eusébio pôs o cargo à disposição, mas pediu para ficar mais um ano. Cabe ao papa decidir se aceita ou não”, alfineta. Quando dom Eugênio ofereceu o cargo, João Paulo II demorou cinco anos para nomear seu substituto – outra prova do enorme prestígio que ele gozava e ainda goza na Santa Sé. Seus seguidores agora esperam que Bento XVI seja mais rápido.
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