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Comportamento  
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Gordo, sim, e com orgulho
Movimento iniciado nos EUA reforça a auto-estima de quem está acima do peso

RENATA CABRAL

ATITUDE Mariana fez a dança do poste na novela e foi elogiada nas ruas
Há algo diferente na atitude de quem tem alguns (muitos) quilos extras. É mais do que reivindicar respeito, vai além do desejo de inclusão na moda, ultrapassa o limite da simples aceitação por estar fora do padrão atual. Movimentos pela valorização de quem é gordinho (ou gordo mesmo) começaram nos Estados Unidos e são disseminados rapidamente, graças à ine com ORGULHO ternet, pelo mundo afora, inclusive no Brasil, onde já há adeptos dos Fat proud, Big beautiful women e Fat admirers, que, em inglês, denotam o orgulho e a admiração por uma silhueta mais volumosa. Eles já contam com blogs, comunidades nos sites de relacionamento e ícones como a gordinha fashion americana Beth Ditto, vocalista da banda The gossip.Para essa tribo, a maioria jovem, a autoestima e a vaidade não são ditadas pelos espelhos. Se sobram quilos e faltam curvas, eles compensam com muito charme e atitude positiva.
A postura já tem reflexos no mundo da moda. Em países como os Estados Unidos, as super size models e lojas específicas para quem não se preocupa com a balança estão em alta. No Brasil, ainda é preciso suar para encontrar roupas modernas em tamanho GG. "Nas passarelas, buscamos a perfeição", defende Sérgio Mattos, diretor da agência 40 Graus Models. Mas há quem transforme a dificuldade para se vestir em criatividade. A atriz Carolinie Figueiredo, que atua em Malhação, da rede Globo, conta que aprendeu a conhecer melhor seu corpo desde que engordou oito quilos, justamente para viver o papel da jovem gordinha Domingas. "Tive de redescobrir meu estilo, mas me sinto tão bonita quanto antes", afirma.
É essa auto-estima que os movimentos pró-gordinhos estabelecem como meta. Não se trata de defender a obesidade, mas de combater o preconceito. Para a psicanalista e coordenadora do Núcleo de Doenças da Beleza da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Joana de Vilhena Novaes, essas iniciativas são importantes para se discutir os padrões dominantes que celebram a magreza. "O corpo não é apenas para ser olhado, é para ser usado. Ninguém deveria ser reduzido a ele", defende.
FABRIZIA GRANATIERI/AG. ISTOÉ
VAIDADE Carolinie engordou para fazer um papel em Malhação e aprovou as novas formas
A sensualidade das mulheres com quilos a mais também já se tornou fetiche na internet. E ganhou uma pontinha de visibilidade na novela das oito da Rede Globo, Duas caras, com a participação da atriz carioca Mariana Xavier, 28 anos, numa aula de pole dance (ou dança do poste) dada pela personagem de Flávia Alessandra. "Depois disso, recebi inúmeras mensagens de incentivo pela internet, como defensora da honra das gordinhas", conta ela, afirmando que conquista elogios nas ruas com suas formas. "O padrão social da brasileira é maior, é de Pretas Gil, não de Giseles Bündchen", ressalta a psicanalista.

11/7/2008


 
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