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Brasil  
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O candidato-poste
O empresário Márcio Lacerda surgiu com o apoio do PSDB de Aécio Neves e do PT de Lula, mas ainda é um desconhecido do eleitorado de Belo Horizonte

ALAN RODRIGUES

ALEXANDRE GUZANSHE/O TEMPO/FUTURA PRESS
O POSTE E O PADRINHO O desafio do prefeito Pimentel (à dir.) é transferir votos para Lacerda (à esq.)

Há uma máxima na política brasileira que diz que quem tem poder e carisma elege até poste em eleições. Cunhada pelo cacique baiano Antônio Carlos Magalhães, em 1982, na volta das eleições diretas para governador, a expressão tornou-se sinônimo de transferência de voto e reconhecimento do cacife eleitoral. Em Belo Horizonte, o velho ditado ganhou corpo e as ruas da cidade. E não é preciso ir ao Mercado Municipal ou à praça Sete, no centro da capital - passagem obrigatória de qualquer político em época de campanha -, para constatar que dois políticos incorporaram a máxima baiana. Com a autoridade de mais de 80% de aprovação popular, tanto o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), quanto o prefeito de BH, Fernando Pimentel (PT), resolveram unir suas forças e bandeiras e indicar para o cargo mais cobiçado da política local um empresário completamente desconhecido da esmagadora maioria dos quase 2,4 milhões de habitantes do município. Tratase de Márcio Lacerda (PSB), que no passado, como militante da ALN de Carlos Marighella, participou de assaltos a bancos e seqüestros para combater a ditadura militar. Nos três anos em que ficou preso, Lacerda disse à ISTOÉ que "aprendeu a sonhar com os pés no chão".

Aos 62 anos, formado em administração de empresas pela UFMG, casado, três filhos, Lacerda foi assessor do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) quando este era ministro da Integração Nacional. Até pouco tempo atrás, o atual candidato era lembrado principalmente por ter sido citado nos jornais mineiros na época do "Mensalão", quando foi acusado pela Polícia Federal de ter sacado R$ 457 mil dos cofres do empresário Marcos Valério para ajudar a campanha presidencial de Ciro Gomes em 2002, da qual ele foi coordenador financeiro. "Fui inocentado", lembra Lacerda. Empresário do ramo das telecomunicações, ele enriqueceu antes das privatizações do setor. Seu patrimônio declarado é de R$ 55 milhões. Na vida pública Lacerda, além de assessor do Ministério de Integração Nacional, foi secretário de Desenvolvimento Social do governo de Aécio Neves e nunca disputou nenhum cargo eleitoral.

Até agora, o candidato de Aécio e Pimentel está em terceiro lugar na corrida eleitoral - nas pesquisas, mal chega a ter 5% das intenções de voto. Marcos Coimbra, do Instituto Vox Populi, acredita que, com pouco mais de dez dias de propaganda eleitoral, Lacerda deve se tornar conhecido na cidade. "Ele tem potencial para chegar a 40% dos votos nesse período", diz Coimbra. No passado, a Prefeitura de Belo Horizonte sempre foi aguerridamente disputada por petistas, socialistas e tucanos mas desta vez a campanha deve ser amorfa. A explicação é simples: seus fiadores, Fernando Pimental e Aécio Neves gozam de alto índice de aprovação. Por isso, a candidatura de Lacerda corre pouco risco de ser bombardeada pela oposição. Nem mesmo a comunista Jô Morais (PCdoB), que é deputada federal e candidata apoiada pelo vice-presidente da República, José Alencar, quer briga. Ela prefere o discurso do "vamos continuar, mas com avanços". Jô, que lidera na última pesquisa, com 20% das intenções de votos, segundo o Instituto CP2/Data Tempo, pretende unir em torno de si os descontentes com a aliança PSDB/PT.

O certo é que nunca em Belo Horizonte um candidato contou em seu palanque com o apoio dos palácios do Planalto, da Liberdade e da prefeitura para a eleição. "A aprovação de Lula, Aécio e Pimentel inibe uma atitude crítica da oposição", explica Coimbra. É na vitória de Lacerda que Pimentel e Aécio apostam suas fichas para as eleições de 2010. O primeiro quer o Palácio da Liberdade e o segundo, o Palácio do Planalto. Agora, só falta combinar com o eleitorado.

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11/7/2008


 
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