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Entrevista  
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CARLOS LESSA
''O Brasil não vai escapar da inflação''
Ex-presidente do BNDES critica estratégia do governo para enfrentar alta do petróleo, mas elogia biocombustível

Por OCTÁVIO COSTA E RUDOLFO LAGO

ISTOÉ - Mas a ministra Dilma Rousseff tem chances, apesar de todo o tiroteio contra ela, antes do início da campanha?
Lessa - Qualquer um que não for o nome querido do mercado de capitais e do sistema de bancos vai tomar pancada de todos os lados. A Dilma está apanhando de maneira injusta. Acho que o Palocci é a figura de eleição do mercado. Se não podem fazer o Meirelles candidato a presidente, então que seja o Palocci.

ISTOÉ - Como o sr. avalia as chances do deputado Ciro Gomes, que seria o candidato de seu partido, o PSB?
Lessa - O Ciro seria um bom candidato. Gosto muito da idéia, do ponto de vista regional, de fazer uma aliança que não seja paulista. O Brasil precisa de um candidato que não seja paulista. A "paulistocentria" é excessiva. Gosto muito da idéia de que Minas esteja na composição presidencial. Gosto muito do Aécio, uma pessoa de muito potencial, e gosto muito do Ciro. Se eu fosse Deus e pudesse escolher, comporia uma chapa com os dois. A questão da cabeça de chapa ficaria para depois. Mas sou um ilustre marginal.

ISTOÉ - E o PMDB, ao qual o sr. foi filiado por tanto tempo, ficaria fora da corrida presidencial?
Lessa - Pertenci ao PMDB no tempo do dr. Ulysses (Guimarães). Fiquei no partido por respeito a Ulysses. E havia figuras no PMDB que acho residuais, mas maravilhosas, como Roberto Requião, Pedro Simon, Luis Henrique. Mas o lado bom está completamente sufocado pelo PMDB das "capitanias hereditárias". O PMDB hoje é do Renan Calheiros e do Edison Lobão. Esse PMDB não quer a Presidência, quer lotear cargos.

ISTOÉ - Qual é a avaliação que o sr. faz do presidente Lula?
Lessa - Acho que o Lula sabe o que é povo. Instintivamente, ele faz gestos e propostas que coincidem com o ânimo popular. Mas ele não sabe o que é nação. Não tem a menor idéia do que é nação e Estado nacional. Prova disso é a inércia do governo diante dos maustratos a cidadãos brasileiros, como se viu recentemente na Espanha. E a política econômica é uma catástrofe. Costumo dizer que o Brasil deixou de ser a República de Empreiteiras para ser o Império dos Banqueiros. E a empreiteira é mais conveniente, porque empurra o País para adiante. O presidente Lula fica deslumbrado pelo aplauso mundial. Ele é aplaudido por quem? Pelos parceiros dos banqueiros brasileiros.

ISTOÉ - E onde o governo acerta?
Lessa - Em toda a política social. É correta a política de elevar o salário mínimo. É correta a política de bolsa família. É correto o Lula botar uma cortina protetora na Previdência Social. Acho que ele instintivamente sabe o que o povo quer. E, se ele estiver com o coração bom, volta em 2014. Mas espero que ele volte sabendo o que é nação. Que estude um pouco para saber o que é nação.

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26/6/2008


 
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