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Existiu um período na história da humanidade em que sobreviver era tão-somente sinônimo de caçar. Em meio a um clima hostil, duas espécies travavam uma luta constante e mortal: homens de Neandertal, na função de caçadores, e animais selvagens e ferozes como presas que, se às vezes eram abatidas, em outras ocasiões trucidavam os seus perseguidores. Para se ter uma idéia do quanto essa guerra da fome e do instinto influenciou o caminhar da história humana, foi justamente ela que, após milênios e milênios, serviria de base à teoria da seleção das espécies do naturalista inglês Charles Darwin, isso já no século XIX. "Os mais aptos (...) têm mais chances de sobreviver", explicou Darwin. Na semana passada, a ciência descobriu que, no caso do período Paleolítico datado de mais de 30 mil anos, a aptidão do homo neanderthalensis se traduzia pela sua incrível habilidade de produzir instrumentos, ferramentas e sofisticadas armas de caça. Foi isso que fez do homem de Neandertal uma espécie de rei da selva e das cavernas que habitava a região hoje conhecida como Europa e parte do oeste da Ásia. "O Neandertal não estava interessado em comer peixes ou aves, ele costumava caçar e arrastar mamutes gigantes para sua caverna", disse à ISTOE o arqueólogo Matthew Pope, chefe da equipe da University College London, responsável pelas novas descobertas.
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TRIUNFO
A equipe do arqueólogo Matthew Pope no sítio arqueológico Beedings traz à tona o passado da pedra lascada e a cultura da caça transmitida de pai para filho pelo homem de Neandertal |
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A investigação científica dos últimos dias foi a primeira que se deu oficialmente no sítio arqueológico de Beedings, no condado inglês de West Sussex, descoberto em 1900. A equipe comandada por Pope revelou fatos surpreendentes. "Trouxemos à luz uma das ferramentas usadas pelos últimos homens de Neandertal", disse ele à ISTOÉ. Quando o sítio foi descoberto no começo do século XX, localizaramse 2,3 mil instrumentos, mas ninguém deu importância a eles - foram achados aleatoriamente e não numa missão científica. Tanto é assim que quase todos foram desprezados. Os poucos que restaram só foram reconhecidos como legítimos através de experimentos realizados em 2001 pelo projeto britânico Ancient Human Occupation (Ocupações Humanas Antigas). Ao cotejar os estudos desse projeto com as novas armas encontradas na semana passada, a equipe de Pope chegou ao veredicto: "O formato das peças e o tipo de material não nos deixaram dúvidas, estamos diante de uma história genuína."
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