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Grace Kelly renasce em Paris
Exposição com roupas, jóias e correspondências pessoais lembra os 25 anos da morte da princesa de mônaco e mostra que seu glamour é eterno

SUZANE FRUTUOSO

"Grace era de fato uma princesa antes mesmo de casar com um príncipe, com todos os requisitos para o título. Sua elegância estava presente na personalidade, no gestual e na postura física. E isso permitia que qualquer roupa lhe caísse bem", diz Valéria Brandini, professora do laboratório de tendências do Instituto Europeo di Design (IED), em São Paulo.

UNITED PRESS INTERNATIONAL PHOTO
NÚPCIAS Rainier e Grace na cerimônia religiosa que atraiu atenções do mundo inteiro

SOLA/SIPA PRESS
COMPANHEIRAS Com Stéphanie, meses antes do trágico acidente. Elas estavam juntas no carro

Quando deu início à bem-sucedida carreira de atriz de cinema, o estilo clássico da beldade loira ficou em evidência. Conjuntos de blusas com casaquetos, saias rodadas e óculos de sol oversize viraram moda (foi ela, não Jackie O, que lançou a tendência dos maxi solares). Grace tornou-se uma das mulheres mais copiadas. Moças de todo o mundo imaginavam que, uma vez vestidas como ela, teriam algo de sua impressionante beleza. O que não era fácil. O rosto perfeito, o corpo magro e os cabelos sedosos penteados com cuidado formavam um conjunto único - e renderam à atriz e princesa uma vasta quantidade de casos amorosos. "Ela se apaixonava loucamente por seus companheiros de cena", afirma o professor de história do cinema Máximo Barro, da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em São Paulo. Entre os amores estão os atores Ray Milland, Gary Cooper, Clark Gable e Bing Crosby.

P/IMAGEPLUS
MOMENTOS O príncipe Albert recém-nascido no colo de Grace. Com Bing Crosby e Frank Sinatra no filme Alta sociedade. A princesa com o marido e os filhos, em 1966

O príncipe Rainier entrou na vida da atriz em 1955, durante uma reportagem organizada pela revista Paris Match no Palácio de Mônaco. Grace participava do Festival de Cinema, em Cannes, e fazia uma visita ao principado. Eles passaram a se corresponder por cartas até que o príncipe a visitou nos Estados Unidos e conheceu seus pais. O casamento aconteceu em 18 de abril de 1956 e foi um dos mais comentados do século passado. A imprensa do mundo todo se deslocou para Mônaco. O vestido de noiva guarda uma história especial, afirma a escritora H. Kristina Haugland, autora do livro Grace Kelly - icon of style to royal bride. Ele foi um presente da MGM. A figurinista do estúdio, Helen Rose, desenhou a peça em seda pura e renda valenciana. "Foram necessárias 35 costureiras para confeccioná-lo em seis semanas. O estúdio manteve o vestido fechado a sete chaves até o grande dia", diz H. Kristina, que também é curadora do Museu de Artes da Filadélfia, a quem pertence a peça (na exposição há uma réplica). Grace doou a roupa no dia seguinte ao casamento para o museu de sua terra natal. Ao mesmo tempo, noivas de todo o mundo copiavam o modelo.

O glamour presente na exposição leva a crer que a vida de Grace Kelly foi impecável. Não é verdade. A carreira foi abandonada para viver o papel de princesa. "Não convinha ao principado que a monarca continuasse trabalhando em filmes, um meio em que era necessário mostrar sensualidade. Nos dias de hoje, uma história como a do presidente da França, Nicolas Sarkozy, e a cantora Carla Bruni cria fofocas, confusões. Mas na época de Grace qualquer deslize arranharia a monarquia", diz o professor de história do audiovisual Eduardo Morettin, da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP).


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25/6/2008


 
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