"Grace era de fato uma princesa antes mesmo de casar com um príncipe, com todos os requisitos para o título. Sua elegância estava presente na personalidade, no gestual e na postura física. E isso permitia que qualquer roupa lhe caísse bem", diz Valéria Brandini, professora do laboratório de tendências do Instituto Europeo di Design (IED), em São Paulo.
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NÚPCIAS Rainier e Grace na cerimônia religiosa que atraiu atenções do mundo inteiro |
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| COMPANHEIRAS Com Stéphanie, meses antes do trágico acidente. Elas estavam juntas no carro |
Quando deu início à bem-sucedida carreira de atriz de cinema, o estilo clássico da beldade loira ficou em evidência. Conjuntos de blusas com casaquetos, saias rodadas e óculos de sol oversize viraram moda (foi ela, não Jackie O, que lançou a tendência dos maxi solares). Grace tornou-se uma das mulheres mais copiadas. Moças de todo o mundo imaginavam que, uma vez vestidas como ela, teriam algo de sua impressionante beleza. O que não era fácil. O rosto perfeito, o corpo magro e os cabelos sedosos penteados com cuidado formavam um conjunto único - e renderam à atriz e princesa uma vasta quantidade de casos amorosos. "Ela se apaixonava loucamente por seus companheiros de cena", afirma o professor de história do cinema Máximo Barro, da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em São Paulo. Entre os amores estão os atores Ray Milland, Gary Cooper, Clark Gable e Bing Crosby.
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| MOMENTOS O príncipe Albert recém-nascido no colo de Grace. Com Bing Crosby e Frank Sinatra no filme Alta sociedade. A princesa com o marido e os filhos, em 1966 |
O príncipe Rainier entrou na vida da atriz em 1955, durante uma reportagem organizada pela revista Paris Match no Palácio de Mônaco. Grace participava do Festival de Cinema, em Cannes, e fazia uma visita ao principado. Eles passaram a se corresponder por cartas até que o príncipe a visitou nos Estados Unidos e conheceu seus pais. O casamento aconteceu em 18 de abril de 1956 e foi um dos mais comentados do século passado. A imprensa do mundo todo se deslocou para Mônaco. O vestido de noiva guarda uma história especial, afirma a escritora H. Kristina Haugland, autora do livro Grace Kelly - icon of style to royal bride. Ele foi um presente da MGM. A figurinista do estúdio, Helen Rose, desenhou a peça em seda pura e renda valenciana. "Foram necessárias 35 costureiras para confeccioná-lo em seis semanas. O estúdio manteve o vestido fechado a sete chaves até o grande dia", diz H. Kristina, que também é curadora do Museu de Artes da Filadélfia, a quem pertence a peça (na exposição há uma réplica). Grace doou a roupa no dia seguinte ao casamento para o museu de sua terra natal. Ao mesmo tempo, noivas de todo o mundo copiavam o modelo.
O glamour presente na exposição leva a crer que a vida de Grace Kelly foi impecável. Não é verdade. A carreira foi abandonada para viver o papel de princesa. "Não convinha ao principado que a monarca continuasse trabalhando em filmes, um meio em que era necessário mostrar sensualidade. Nos dias de hoje, uma história como a do presidente da França, Nicolas Sarkozy, e a cantora Carla Bruni cria fofocas, confusões. Mas na época de Grace qualquer deslize arranharia a monarquia", diz o professor de história do audiovisual Eduardo Morettin, da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP).

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