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A maldição de Collor
Por que, em uma sina surpreendente, todos os que se envolveram com o ex-presidente enfrentaram grandes reveses em suas vidas, e alguns até destinos trágicos

RUDOLFO LAGO

ROBERTO CASTRO/AG. ISTOÉ
Fernando Collor de Mello, ex-presidente

O ex-presidente e atual senador Fernando Collor (PTB-AL) é lacônico quando comenta a história de que paira uma maldição sobre as cabeças daqueles que contribuíram ativamente para o seu impeachment, em 1992. “Sou uma pessoa que crê em Deus. Deus põe, Deus dispõe”, diz ele. O fato é que, um a um, todos os principais protagonistas da investigação que desvendou o esquema de corrupção comandado por Paulo César Farias, ex-tesoureiro de Collor, acabaram passando por martírios – em alguns casos bem maiores que os do próprio ex-presidente. É uma fieira de mortes trágicas, doenças graves, acidentes, cassações e reputações comprometidas. É daí que surgiu a idéia de uma “maldição do impeachment”. A última vítima dessa praga parece ter sido o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias. Ex-presidente da União Nacional dos Estudantes durante o processo de impeachment, Lindberg foi o principal líder da “geração cara-pintada” que, vestida de preto, saiu às ruas pedindo a deposição de Collor. Era o início de uma trajetória que pretendia galgar Lindberg à condição de jovem líder político. Lula apostava alto nele como nova geração petista na qual se deveria investir. Colhido pelas denúncias publicadas por ISTOÉ, Lindberg agora responde a processo movido pelo Ministério Público. Poderá ficar inelegível nas eleições de outubro. No mínimo, será um dissabor grande para quem começou a política chamando Collor de “ladrão”.

Collor rejeita a tal maldição. Repete que é católico, devoto de Nossa Senhora de Fátima (ele anda sempre com um button com a imagem da santa na lapela, ao lado do button dourado de senador). “Inventam muitas coisas a meu respeito”, diz ele. Mas o fato é que sua ex-mulher Rosane Collor e uma ex-mãe-de-santo, Maria Cecília da Silva, têm repetido com freqüência que sessões de magia negra aconteciam nos jardins da Casa da Dinda, a mansão que a família de Collor tem no Lago Norte de Brasília, onde ele morava quando era presidente. Rosane e a ex-Mãe Cecília – assim ela era conhecida quando mãe-de-santo – se converteram ambas à igreja evangélica El Shaddai. A última vez que Rosane contou detalhes sobre as sessões de magia negra foi ao jornal evangélico Folha Universal, no dia 28 de fevereiro. Segundo Rosane disse ao jornal, Collor acreditava que “os trabalhos poderiam mandar o mal de volta” sobre quem desejava algo ruim a ele. De acordo com o que relatam Rosane e a ex-Mãe Cecília, galinhas e outros animais eram sacrificados durante esses rituais.

O que Collor de fato fazia nos famosos jardins da Dinda, só quem esteve presente pode saber. A verdade, porém, é que o destino daqueles que se opuseram a ele e foram protagonistas do processo de impeachment realmente impressiona. A começar por seu irmão Pedro Collor, autor da primeira denúncia contra o ex-presidente. Ainda enquanto se desenrolava o processo, Pedro Collor descobriu que tinha um tumor maligno no cérebro. A doença avançou de forma rápida e, dois anos depois, em 1994, o irmão mais novo de Collor morreu. É verdade, porém, que o câncer parece ser um fator genético na família. O irmão mais velho de Collor, Leopoldo, também padece em São Paulo com a doença.


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28/5/2008


 
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