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| CONCURSO Natália agora irá se preparar para o Miss Universo, que acontece em julho |
Natália Andrele nasceu em uma pequena casa de madeira de apenas 60 metros quadrados, na zona rural de Roca Salles, interior do Rio Grande do Sul, onde vivem 7,4 mil habitantes. Ela acordava às 4 h todos os dias para ir à escola, distante 15 quilômetros da sua casa e, à tarde, ajudava o pai na plantação de milho, mandioca e feijão e no pequeno pasto de porcos e vacas. À noite, ela preparava queijo junto com a sua mãe, feito com o leite colhido nas primeiras horas do dia, e na pequena cozinha rústica do casebre alternava as tarefas domésticas com a criação do irmão mais novo. A família comia o que plantava e raramente tinha estrutura para comercializar a colheita. A plantação era freqüentemente destruída pela geada e chuvas de granizo. Não era raro faltar alimento em casa.
Este enredo triste de menina pobre do interior, supostamente condenada a um destino de privações e miséria, é a história da atual Miss Brasil. Na noite do dia 13 de abril, Natália foi coroada no concurso mais cobiçado e disputado pelas 27 mais belas mulheres brasileiras. O passado áspero nada tem em comum com a vida de luxo e glamour que leva hoje a bela gaúcha de 22 anos, 1,75 m, 53 quilos, 58 cm de cintura e 90 cm de quadril. Há um mês e meio, ela conhece famosos, ganha presentes caríssimos e freqüenta lugares que só existiam nos seus sonhos. Participa de eventos beneficentes em todo o País, recebe propostas para campanhas publicitárias de grandes grifes, freqüenta jantares nos melhores restaurantes de São Paulo e do Rio de Janeiro e exibe jóias caríssimas, entre colares de brilhantes e brincos de diamantes. “Muitas destas coisas eu nunca tinha visto na vida, só pela internet”, confessa Natália, que jamais sonhou ter um cachê de R$ 18 mil, apenas como “presença vip”.
Nos eventos, conheceu atores globais como Guilherme Gorski, Leonardo Miggiorin, Flávia Alessandra, e já desfilou com Deborah Secco. Assistiu de camarote aos shows de Roberto Carlos, Johnny Rivers e Charles Aznavour, e ficou hospedada em hotéis cinco-estrelas em São Paulo, como o Mofarrej e o Bourbon Resort, para onde levou também toda a sua família. Um dos seus grandes sonhos se realizou na semana passada. Pela primeira vez, Natália viajou ao Exterior. Seguiu, na quarta-feira 14, para o Canadá, onde irá ao Festival Brazilian Ball, uma espécie de carnaval canadense do qual participam 1.800 pessoas. Ela é uma das convidadas, ao lado de outras misses brasileiras.
Natália irá aproveitar para, nesta viagem de dez dias, conhecer os pontos turísticos canadenses. “Estou emocionada porque sempre sonhei em conhecer outros países. Esse é só o primeiro país de muitos que eu ainda quero conhecer, principalmente o Egito”, disse ela, horas antes de embarcar. Em seguida, Natália volta ao Brasil para se preparar para o grande momento de sua vida: o Miss Universo, que ocorre no dia 15 de julho, no Vietnã. A expectativa é alta, principalmente depois que a sua xará e antecessora, Natália Guimarães, ficou em segundo lugar na disputa, marca alcançada até então apenas pela lendária Martha Rocha. Caso vença, ela vai morar nos Estados Unidos, sob a supervisão do milionário Donald Trump, que detém os direitos do evento.
Ao comparar o conto de fadas que vive hoje com o passado de dificuldades, Natália lembra emocionada da luta que travou para alcançar o patamar da mulher mais linda do País. “Eu economizava tudo o que ganhava para nunca faltar dinheiro”, conta. Ao completar 16 anos, ela concluiu o ensino médio e se mudou com a família para a zona urbana da cidade, num terreno comprado com a venda do trator e da roça. Para ajudar nas despesas de casa, a miss trabalhou como babá e recepcionista no hospital da cidade, e ganhava um salário mínimo.
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