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A cidade das estrelas
Pesquisadores encontram na Antártica uma gigantesca colônia de estrelas-do-mar

LUCIANA SGARBI

SEGURANÇA Graças às correntes marítimas, as estrelas se protegem, se alimentam e sobrevivem aos predadores

Foi no pico de uma das montanhas da gelada cordilheira Macquarie, que tem 90 metros de seu corpo submerso na Antártica, que uma equipe de cientistas da Austrália e da Nova Zelândia deparou-se com um cenário de vida e cores: milhões de estrelas- do-mar. “A primeira coisa que nos veio à mente foi: encontramos a cidade das estrelas”, diz Ashley Rowden, um dos biólogos do Instituto Nacional de Pesquisa Aquática e Atmosférica (Niwa), da Nova Zelândia. O hábitat desses animais marinhos é uma cadeia montanhosa que se estende ao longo de mais de 1,4 mil quilômetros, um santuário ecológico que até a semana passada era completamente desconhecido do homem.

Por que esse local abriga uma colônia de estrelas-do-mar? “Estudamos minuciosamente as condições climáticas e ambientais”, diz Mike Williams, também integrante da expedição. Eis a resposta: a região onde elas se concentram é justamente um dos raros lugares onde a Corrente Circumpolar Antártica sofre um desvio natural – ou seja, as estrelas assim se protegem. A Corrente Circumpolar é uma espécie de gigantesco rio submarino que conecta os oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, circulando em sentido horário em torno do Pólo Sul. Segundo Williams, ela se move através dos desfiladeiros e do pico da cordilheira a uma velocidade de quatro quilômetros por hora e formando uma corrente muito mais forte do que toda a água que flui dos rios de todo o mundo. “É como se esses animais marinhos, para sobreviver, só precisassem estender os braços e capturar os nutrientes que são empurrados pela corrente”, diz ele. “E a força da água ainda os protege dos predadores. Resumindo, ali existe a condição ideal de vida para as estrelas-do-mar.”

1,4 mil quilômetros é o espaço ocupado pelas estrelas no fundo do mar Antártico

 


28/5/2008


 
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