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Brasil  
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Marina fica sem ambiente
Com a substituição da ministra, o governo pretende destravar os licenciamentos ambientais para que o PAC deslanche

ALAN RODRIGUES Colaborou Sérgio Pardellas

ROBERTO CASTRO
PELA FRENTE Marina deixa o cargo e volta ao Senado. “Pra mim, já deu”, desabafou

No final de semana que antecedeu sua demissão do cargo de ministra do Meio Ambiente, que aconteceu na terça-feira 13, a senadora Marina Silva reuniu um pequeno grupo de assessores e deixou claro: “Pra mim, já deu”. Sobre a decisão de sair do governo justificou- se com um argumento simples: “Para que práticas ambientais sejam bem-sucedidas, é primeiro querer fazer, segundo saber fazer e, por último, poder fazer. Nós queremos e sabemos, mas não mais podemos fazer. Chegou a minha hora.” O que a senadora disse a seus assessores não era nenhuma novidade; afinal, há dois meses o presidente Lula não endossava mais os projetos da ministra que contrariavam os novos interesses do Planalto. Nesse período, 15 processos de unidades de conservação – áreas protegidas da destruição, entre elas as terras do Xingu –, estão engavetados na Casa Civil, além de diversos projetos na área de biodiversidade. Tudo resultado de um novo posicionamento do governo sobre a questão ambiental. “Começou a haver estagnação”, admitiu a ministra. O motivo para essa nova política tem nome: desenvolvimento, ou seja, o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) tem que andar. Nos próximos dias, assume a cadeira de Marina o ex-secretário de Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, Carlos Minc, um ambientalista tido como “light” e pragmático. Ele ganhou fama de bom gerente ao destravar, depois de anos, várias licenças ambientais para obras no seu Estado e assim trazer novos investimentos. Ex-integrante da luta armada, Minc participou em 1969 do assalto à casa onde estava o cofre do ex-governador Adhemar de Barros, no Rio de Janeiro, que rendeu aos guerrilheiros a quantia de US$ 2,5 milhões. Exilado, retornou ao Brasil em 1979.

A gota d’água para a saída de Marina foi a nomeação do ministro Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) para coordenar o Plano Amazônia Sustentável (PAS), um projeto gestado por Marina desde 2003, e que o presidente Lula decidiu transferir a Unger sem nem sequer ouvir a ministra. Há pouco tempo, ela tinha deixado claro a Lula que, caso o governo optasse por uma agenda desenvolvimentista, ela estaria fora. “Perco a cabeça, mas não o juízo”, teria dito. Ao transferir o poder do PAS a Unger, Lula ainda tentou aplacar a ira da ministra, que minutos antes tivera uma conversa dura com o presidente. “A Marina é a mãe do PAS”, disse Lula. Marina não titubeou: “Mãe não dá o filho para outro criar”.

Entre trancos e barrancos, a contabilidade de Marina à frente do Ministério tem um saldo positivo, sob seu comando, o governo conseguiu reduzir em 60% o desmatamento da Amazônia, e o País ficou em 2º lugar entre os que mais ampliaram a área florestal – de 320 mil para 700 mil hectares. O País também avançou na área de manejo sustentável, saltando de 300 mil para três milhões de hectares. “A saída dela pode fazer com que o bom senso seja retomado nas questões ambientais. Havia uma carga ideológica muito forte, um preconceito contra o agronegócio. Ela atrasou muito o Brasil com a irracionalidade no trato de questões como os transgênicos”, disse o deputado Oniyx Lorenzoni (DEM–RS), presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento da Câmara.


16/5/2008


 
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