ISTOÉ - Independente
 
   
  EDIÇÃO ATUAL
  EDIÇÕES ANTERIORES
  ESPECIAIS
   
   
  CAPA
  REPORTAGENS
  CIÊNCIA & TECNOLOGIA
  BRASIL
  COMPORTAMENTO
  MEDICINA & BEM ESTAR
  MEIO AMBIENTE
  ECONOMIA E NEGÓCIOS
  CULTURA
  COLUNISTAS
   
   
  EDITORIAL
  ENTREVISTA
  A SEMANA
  GENTE
  EM CARTAZ
  OPINIÃO & IDÉIAS
  SEU BOLSO
  BASTIDORES
   
   
  FALE CONOSCO
  EXPEDIENTE
  ANUNCIE
  ASSINE ISTOÉ
  LOJA 3
   
   
 



Brasil  
Imprimir
 
A angustia de Serra...
O Governador não consegue barrar candidatura de Alckmin no PSDB - o que compromete a aliança com o dem - e vê ameaçado o seu projeto presidencial

RUDOLFO LAGO

COMPUTAÇÃO GRÁFICA SOBRE FOTO DE GUSTAVO MIRANDA/AG. O GLOBO
ENCRUZILHADA Se Serra jogar pesado contra Alckmin, pode perder parte do PSDB. Se ficar calado, pode perder o DEM

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), mal teve tempo para comemorar o acordo firmado entre o PMDB de Orestes Quércia e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) na disputa pela prefeitura paulistana. Na interpretação dos tucanos que defendem a aliança com o DEM, o acordo seria um tiro certeiro em Geraldo Alckmin, que insiste em ser candidato do PSDB à prefeitura. Na noite da sexta-feira 2, depois de receber uma visita do secretário estadual de Relações Institucionais e presidente do Diretório Municipal do PSDB, José Henrique Reis Lobo, no Palácio dos Bandeirantes, a alegria de Serra deu lugar à angústia. Lobo informou ao governador que os alckmistas iriam vencer com folga a disputa no Diretório e que na segunda-feira 5 Geraldo Alckmin seria referendado como o pré-candidato do partido à sucessão municipal. Foi mais uma derrota na sucessão de contratempos vividos ultimamente por Serra (leia quadro à pág. 30). A candidatura de Alckmin afeta fortemente os entendimentos do PSDB com o DEM, com reflexos diretos no projeto presidencial de Serra em 2010. Serra também não pode esticar demais a corda na disputa com Alckmin, sob pena de provocar um racha de difícil colagem no próprio partido, uma vez que entre os principais entusiastas da candidatura Alckmin está o governador mineiro Aécio Neves, também forte presidenciável tucano. “O Serra erra porque esse negócio de cálculo de longo prazo em política não dá certo”, diz o deputado José Aníbal (SP), líder do PSDB na Câmara e escudeiro de Alckmin.

ALIANÇAS TURBULENTAS

No xadrez político da sucessão presidencial, os tucanos Aécio Neves, governador de Minas Gerais, e José Serra, governador de São Paulo, protagonizam jogos antagônicos. Em Belo Horizonte, Aécio conseguiu o apoio das bases e dos diretórios do PSDB e do PT para que ele e o prefeito petista Fernando Pimentel lancem uma candidatura única para a sucessão, a do socialista Márcio Lacerda. O problema é que a Executiva Nacional do PT acabou vetando o acordo, o que pode atrapalhar o projeto de Aécio para 2010. Em São Paulo, o quadro é exatamente o contrário. O líder maior do PSDB no Estado, José Serra, busca levar o partido para um entendimento com os Democratas em torno da candidatura do prefeito da capital, Gilberto Kassab. Só que quem diz não ao acordo são as bases tucanas, fechadas com a candidatura própria de Geraldo Alckmin, o que também atrapalha os planos de Serra para 2010.

ALEXANDRE GUZANSHE/FOLHA IMAGEM DANIEL PERA/DIÁRIO SP
DOIS PARA LÁ Contra a cúpula do PT, Pimentel (à dir.) se alia a Aécio DOIS PARA CÁ Contra as bases do PSDB, Serra (à esq.) tenta impor Kassab

Na conversa com Lobo, Serra sugeriu que a reunião do Diretório Municipal fosse adiada, mas ouviu de Lobo que não havia condições políticas para isso e que ele mesmo, o presidente do Diretório, teria que divulgar a posição majoritária do partido. Durante o final de semana, o governador procurou esvaziar a reunião. Escalou o secretário municipal das Subprefeituras, Andréa Matarazzo, para a missão. Matarazzo, no entanto, não conseguiu atender ao governador. Coube, então, ao secretário municipal de Esportes, Walter Feldman, a tarefa de procurar tumultuar o encontro. Feldman conseguiu promover alguns bate-bocas. Definiu a decisão do Diretório como autoritária e ouviu os alckmistas lhe chamarem de vendido. Mas, apesar do tumulto, o encontro terminou com Alckmin pré-candidato do partido. “Agora vamos brigar para que a convenção possa manter a aliança com o DEM”, afirma Feldman. “Mas não podemos fazer disso algo crônico. Seria estupidez.”

Na terça-feira 6, enquanto Alckmin festejava, Serra reuniu seu grupo e disse que, a partir daquele momento, precisava resguardar-se nos bastidores. “Vocês estão liberados para fazer tudo o que julgarem necessário; eu só não posso é estar na linha de frente de qualquer movimento”, afirmou. Horas antes, havia telefonado para Alckmin e o convidou para participar da cerimônia de inauguração do Hospital do Câncer, ao lado de Kassab. Isso não significa, porém, que Serra jogou a toalha. Enquanto Feldman e outros secretários municipais buscam os votos para a convenção, o governador trabalha para dificultar alianças que possam ser feitas por Alckmin. O alvo da vez é o PTB. Alckmin já ofereceu a indicação de vice-prefeito aos petebistas, mas é possível que Serra e Kassab consigam atrair o partido para as fileiras do DEM.


14/5/2008


 
Receba as informações de Isto É semanalmente em seu e-mail:
 
 
 
 
 
 




 
 
 
 
 
   
 
Imprimir

   
       

© Copyright 1996-2008 Editora Três
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.

ContentStuff - Media Solutions