Se, por exemplo, numa sexta-feira no final da tarde alguém quiser vê-lo e você inadvertidamente responder “vou voando”, saiba que essa frase deixou de ser apenas uma força de expressão. Caos geral no trânsito, e você se lamenta e se conforma com o fato de que não poderá honrar o horário de seu compromisso, e então pensa: “Só se eu fosse voando.” Pois bem, tanto a frase quanto o pensamento em questão começam agora a se tornar realidade, se não ao alcance de qualquer cidadão, pelo menos daqueles que tenham US$ 250 mil para gastar. Em quê? Simplesmente numa mochila voadora capaz de libertar seu usuário de todo e qualquer obstáculo à sua rápida locomoção. Foi em 1984, na abertura da Olimpíada de Los Angeles, que o piloto de testes Bill Suitor chamou à atenção ao flutuar por 20 segundos na primeira demonstração pública de uma mochila do gênero, chamada Cinturão Foguete Bell (projeto financiado em parte pelos militares dos EUA) e criada pelo engenheiro Wendell Moore. Agora, após muita pesquisa e milhões de dólares de investimento, surge a Rocket Belt, mochila munida de jatos propulsores capazes de realizar vôos de curta distância. Ela está sendo vendida em lojas, ou seja, esse equipamento de alta tecnologia não ficará restrito a cientistas.
A transformação do velho cinturão foi geral. Ao aço e ferro que o compunham (peso de cerca de 120 quilos) seguiram-se o alumínio e a fibra de vidro, resultando na redução de peso (50%) e no dobro do impulso. “O grande diferencial dessa tecnologia é que ela não é restrita à classe acadêmica”, diz Juan Manuel Lozano, designer-chefe da empresa Tecnologia Aeroespacial Mexicana (TAM). Segundo ele, a mistura de gases foi essencial para aumentar a potência do Rocket Belt. Os tanques de metal montados na mochila do foguete são preenchidos com cerca de 23 litros de peróxido de hidrogênio, e, quando o operador abre a válvula, outro elemento, o nitrogênio a alta pressão, é liberado. Isso força o hidrogênio para dentro da câmara numa pressão que pode chegar à temperatura de 743º C. “O vapor é expelido pelos dois tubos curvos que saem do topo do tanque e descem lateralmente logo atrás dos braços do operador”, diz Lozano. “A pressão é tão forte que pode levantar rapidamente uma pessoa com 136 quilos.” Para ser comercializado, o Rocket Belt passou por uma bateria de testes para comprovar sua estabilidade e seu mecanismo de fácil manuseio. Custará US$ 250 mil e será feito sob medida para cada usuário.
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ALÍVIO
Com o Rocket Belt será possível fugir do trânsito |