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O tesouro de Lily vai a Leilão
Preocupada com uma futura partilha de bens, a viúva de Roberto Marinho coloca à venda sua coleção de arte e jóias. Valor do acervo é de R$ 25 milhões

FRANCISCO ALVES FILHO

As importantes obras de arte colecionadas por Lily Marinho ao longo de 70 anos estão indo para longe de sua dona. Quadros de Portinari, Fachinetti, Van Dongen, além de jóias e peças representativas da arte brasileira dos últimos três séculos, foram empacotados e retirados das fazendas do Vale do Paraíba. Perto de completar 87 anos – o aniversário é dia 10 –, a viúva de Roberto Marinho resolveu levar ao martelo dois mil itens, com valor total estimado em R$ 25 milhões. A iniciativa, diz ela, servirá para manter a harmonia familiar depois de sua morte. “Já soube de muitos parentes que se desentenderam por causa da divisão de bens e quero evitar isso”, justificou- se aos amigos. Os leilões serão realizados entre os dias 8 e 17 no Rio de Janeiro e nas representações da Sotheby’s de Nova York e Genebra. Dona Lily enfrenta esse processo com desapego incomum. “Tudo isso com o que convivi e vivi está longe de mim agora”, desabafou, referindo- se ao fato de pouco ter visitado suas fazendas depois da morte do criador da Rede Globo.

LEANDRO PIMENTEL/AG. ISTOÉ
DESAPEGO Com a elegância de sempre, dona Lily Marinho se despede de símbolos de um passado feliz

A principal preocupação de dona Lily tem a ver com João Baptista, o filho adotivo e seu único herdeiro. Pouco depois do acidente automobilístico que em 1966 matou Horacinho, filho de seu primeiro casamento com o empresário e jornalista Horácio de Carvalho, ela resolveu adotar João por intervenção de Sarah Kubitschek, mulher de JK. Hoje, ele tem quatro filhos. “João Baptista passa a maior parte do tempo no Exterior, não tem paciência para administração de bens”, conta Romaric Büel, que conheceu Lily quando era adido cultural da França no Rio, há 15 anos, e está ajudando a organizar os leilões. Os negócios da família não são mesmo o forte do filho. Dona Lily montou para ele um estúdio de gravação e uma produtora cinematográfica, empresas que não vingaram. Gerenciar fazendas também nunca lhe despertou interesse. A incerteza quanto ao seu futuro inspirou a realização dos leilões. O valor apurado será administrado por um trust que vai lhe garantir uma boa vida. O instinto maternal se sobrepôs de tal forma ao conhecido perfil de amante e profunda conhecedora de arte que, ao fim do levantamento do acervo a ser leiloado, o interesse de dona Lily era meramente pecuniário: “Quanto deu o total?”, perguntou apenas.

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2/5/2008


 
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