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Aprendendo a distância
Com melhor qualidade, cursos de graduação que desobrigam o aluno de freqüentar a faculdade aumentaram 571% em três anos

CLAUDIA JORDÃO

Gonzalez é um exemplo extremo. Mas histórias de quem não estuda porque mora longe da universidade ou não pode estar na escola sempre no mesmo horário são comuns no Brasil. Não é à toa que a modalidade de educação a distância na graduação está crescendo no País. Segundo o Censo da Educação Superior de 2006, o número de cursos cresceu 571% de 2003 a 2006. Neste mesmo período, o aumento de matrículas foi de 315%. Em 2006, 207.206 alunos de graduação estudavam dessa forma.

MARCO ANTONIO REZENDE/AG. ISTOÉ

anos para se tornar uma alternativa aos brasileiros. Os primeiros cursos a serem oferecidos no País foram de pedagogia e licenciatura na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Em 1995, eles estavam disponíveis apenas aos professores da rede. Dois anos depois, a graduação a distância em pedagogia foi ampliada para alunos de fora. “Esse crescimento recente está ligado a dois fatores: ao aumento da oferta e à percepção de que esses cursos têm qualidade”, diz o secretário de Educação a Distância, Carlos Eduardo Bielschowsky. Em 2006, 77 instituições de ensino superior já ofereciam a modalidade na formação para profissões nas áreas de humanas, exatas e biológicas. Hoje, ela está disponível em quase toda grande instituição de ensino superior brasileira. Universidades como Unisa e Anhembi Morumbi, em São Paulo, têm também a forma presencial com até 20% da grade curricular ministrada online. A Anhembi tem ensino a distância desde 2001. Atualmente, são três opções em graduação tecnológica e uma em pós-graduação. “Realizamos pesquisas periódicas com os alunos e verificamos que o nível de satisfação é bastante elevado, por isso o investimento”, conta Cristiane Alperstedt, diretora de ensino a distância da universidade.

LUCIANA WHITAKER/AG. ISTOÉ
ACESSO Gonzalez só conseguiu se formar em ciências biológicas porque não precisou ir às aulas diariamente

A modalidade é uma necessidade do profissional que está no mercado de trabalho e quer se atualizar. Casado e pai de duas meninas, Maurício Ghigoneto, 37 anos, é aluno de pós-graduação a distância em administração em marketing e vendas na Anhembi. Deve se formar em julho e afirma que não conseguiria levar um curso nos moldes convencionais, apesar de morar a duas quadras da universidade. “Eu provavelmente não veria as minhas filhas por dois anos”, diz ele, que se dedica cerca de uma hora por dia aos estudos. “E, a essa altura, já teria sido reprovado por falta por causa das viagens a trabalho.”

O grande desafio dos cursos a distância ainda é vencer o preconceito. “No Brasil, a desconfiança está diminuindo. Na Espanha, já vi anúncios de oferta de emprego priorizando alunos formados pela modalidade a distância”, diz Bielschowsky. “Eles são conhecidos por serem mais disciplinados e independentes.” De acordo com levantamento do Enade (exame do Ministério da Educação que avalia o ensino superior), divulgado no ano passado, de 13 áreas em que foi possível comparar o desempenho do aluno presencial com o estudante a distância, quem estuda em casa se destacou em sete. Geralmente, os cursos de graduação a distância duram o mesmo período e custam o mesmo que os convencionais. Helene Augusta Baptista, 20 anos, que dá aulas de reforço para alunos do ensino médio, preferiu estudar física a distância pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Escolhi para não precisar ir às aulas todos os dias porque trabalho e ficaria muito complicado”, diz ela. O curso de física na UFRJ é emblemático. Há mais alunos na modalidade a distância que no presencial.

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2/5/2008


 
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