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Tecnologia  
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Brasileiro sob medida
Para facilitar a compra de roupas, provador digital irá fornecer um novo e mais preciso manequim do consumidor

TATIANA DE MELLO

Body Scanner Em três dimensões, as medidas serão ajustadas e padronizadas. O equipamento irá mostrar que muita gente que se acha 38 pode ser cientificamente 40

Cena comum em provadores: a calça é número 38, fica apertada demais; muda-se de marca, aí somente a 42 serve. Quando os botões fecham na cintura, é a barra que está comprida ou um pouco curta. Isso, ao vivo. Por catálogos ou pela internet, aí então é comportamento de risco comprar peças de vestuário. Como ter certeza de que aquele 38 anunciado é o mesmo 38 que lhe veste bem? Atentos a essas questões, pesquisadores do Rio de Janeiro começaram um criterioso estudo sobre o corpo do brasileiro para estabelecer novos e unificados padrões a serem seguidos pela indústria da moda – e para isso pretendem registrar as medidas de dez mil voluntários em todo o País. “Esse estudo antropométrico vai permitir uma medida correta do brasileiro, seja ele de que região for. Quem é do Sul tem medidas mais européias, quem é do Norte tem porte mais indígena. Vamos mensurar a influência das diferentes culturas que nos colonizaram e se misturaram”, diz Ariel Vicentini, coordenador de tecnologia do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

A pesquisa será turbinada por um equipamento chamado Body Scanner, aparelho que em 20 segundos mede em detalhes e com incrível precisão todo o corpo humano. Exteriormente, ele se assemelha a um provador, mas, por dentro, é pura tecnologia: pontos de luz e sensores fazem uma varredura do corpo, captam 100 medidas e transferem esses dados para um computador. O voluntário precisará prender os cabelos, tirar os acessórios, usar uma roupa justa e encaixar pés e mãos em um marcador. Em alguns casos, precisará também de coragem: o Body Scanner nos revela a imagem do nosso corpo em três dimensões, com medidas muito mais detalhadas do que os tradicionais busto, cintura e quadril. Através dele já se descobriu, por exemplo, que o corpo do brasileiro está mudando rapidamente. Estamos mais gordos, mais altos e mais musculosos. Alterações de hábitos alimentares, prática de esportes e cirurgias plásticas respondem pelas “mutações”. Segundo Vicentini, o padrão das brasileiras (seios pequenos, quadril nem tanto) está virando coisa do passado.

As confecções não têm, na verdade, um parâmetro ao qual possam recorrer e padronizar os produtos – ou improvisam (adotando um modelo de provas que acompanha o estigma do que é corpo belo) ou seguem conceitos arcaicos. A coordenadora da pesquisa e mestre em marketing Janaína Sobrinho diz que a indústria se vale até mesmo de uma modelagem maior para que o consumidor “se sinta psicologicamente magro”. Por enquanto, apenas 200 voluntários foram examinados pelo Body Scanner e, portanto, é cedo para se anunciar medidas. É certo, porém, que muita gente que se acha 38 pode ser cientificamente 40, mas o que importa, no caso, é menos a vaidade e mais a segurança na hora da compra. Do ponto de vista da indústria, a produção será mais objetiva, evitando o encalhe de peças, conseqüência da incompatibilidade de numeração de uma marca com outra. E, com menos risco de os produtos encalharem, os preços podem cair.


2/5/2008


 
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