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CIÊNCIA
O novo palácio de Átila
Historiadores dizem que o poderoso rei dos hunos não foi o bárbaro que sempre se supôs - e seu palácio será reconstruído como museu

Por LUCIANA SGARBI

IMPONENTE Átila foi o maior líder dos bárbaros, conquistando grande parte do território europeu. Hoje se sabe que ele era nobre e falava cinco línguas

Ele viveu no ano 420, na remota época do Império Romano, e sua fama de selvagem ultrapassou todas as barreiras do tempo. Átila foi o último e também o mais poderoso rei dos hunos, bárbaros de origem germânica que habitavam as regiões norte e nordeste da Europa e noroeste da Ásia, com posses territoriais que se estendiam da Europa Central até o Mar Negro. Ele vivia para guerrear e conquistar o que via pela frente - invadiu duas vezes os Balcãs, esteve a ponto de tomar a cidade de Roma e chegou a sitiar Constantinopla. Marchou através da França e espalhou o pavor fazendo o bravo imperador Valentiniano III fugir de Ravena. Essa imagem perversa que se tem de Átila, no entanto, começa agora a sofrer uma grande reviravolta - e, assim, o ogro ganha a chance de se transformar num príncipe. Explica-se: os romanos empregavam a expressão "bárbaro" para todos aqueles que habitavam além das fronteiras de seu império e não falavam latim. A partir de estudos recentes, uma equipe de historiadores europeus acaba de descobrir que Átila falava não apenas esse idioma mas também outros quatro. Nessa guinada da "selvageria" para a "civilização", ele será homenageado na Hungria com a reconstrução de seu famoso e rico palácio.

O local escolhido para a obra é uma colina localizada em Tápiószentmárton, nas proximidades do rio Tisza e ao sul da Hungria - o terreno pertence ao pesquisador János Kocsi, que há mais de 20 anos estuda como viveram os hunos. "Houve uma grande injustiça com a imagem de Átila. Por isso, é importante a construção desse palácio para que todos entendam melhor as guerras e o conceito de bárbaro que se tinha naqueles tempos", diz ele. A reconstrução está orçada em 19 milhões de euros, um valor baixo, se comparado aos tradicionais palácios europeus, mas compatível ao material que será utilizado: madeira. Para trazer de volta toda a atmosfera do passado, Kocsi pediu ao arquiteto Tibor Endre Hayde que resgatasse os mínimos detalhes. Para isso, ele fez uma planta baseando-se nos registros históricos da visita que o embaixador Prisco fez a Átila em 448. O palácio-museu será construído em grande parte em madeira porque assim era o original, terá quatro torres de 28 metros de altura e um conjunto de porões de 2,8 mil metros quadrados. O visitante receberá um mapa explicativo e, dessa forma, fará uma viagem no tempo observando peças que os hunos roubavam dos povos que dominavam e com as quais Átila decorava a sua casa.

LENDÁRIO O palácio-museu terá torres de 28 metros de altura e um restaurante medieval em seu subsolo. O pesquisador János Kocsi exibe o projeto histórico

Os hunos e os húngaros tiveram antepassados comuns e isso explica por que eles vêem em Átila um herói de sua história antiga. Na Hungria vivem milhares de homens que têm o nome de Átila e em quase todas as cidades do país há uma rua ou praça que o homenageia. Para o arquiteto Hayde, o projeto irá impressionar e poderá ser palco de um longa-metragem sobre o rei dos hunos, "filme que os húngaros nunca fizeram, ao contrário dos americanos, italianos e lituanos". Diante do palácio haverá outra atração, a chamada colina Átila, onde em 1923 arqueólogos encontraram importantes artefatos, como um adorno de escudo e uma figura de ouro - atualmente eles estão no Museu Nacional de Budapeste. À colina onde viveram por décadas os bravos guerrerios, hoje é atribuído o "poder" de curar enfermidades. Foi nela que nasceu a famosa égua Kincsem, que entre 1876 e 1879 ganhou todas as 54 corridas nas quais competiu. "Parece que a vitalidade dos hunos permanece nessa região", diz Kocsi.

OS OBJETOS DO MUSEU
As peças encontradas por historiadores na década de 20


16/4/2008


 
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