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Internem Cesar Maia
attuch@istoe.com.br

Um jornalista pergunta: "O senhor pode vir a ser candidato a presidente da República?"

Cesar Maia responde: "Por que não? Eu estou num navio, as pessoas caem no mar, salvo a vida de 30 e sai nos jornais a notícia. Sou um herói e até em Sergipe as pessoas vão dizer: Você teve coragem, se jogou no mar.'"

Imagine agora o prefeito do Rio de Janeiro num navio. Uma embarcação infestada de mosquitos, onde 57 mil pessoas são contaminadas pela dengue e 47 morrem - entre elas, várias crianças. O que faz o comandante? Abandona o leme, esconde-se na casa de máquinas e, coberto de repelente dos pés ao pescoço, começa a disparar mensagens aos tripulantes: "Dengue em Aracaju", "Dengue em Salvador"!

Parece fantasia, mas é a realidade. A entrevista de Cesar Maia foi concedida no início do ano ao jornal Valor Econômico. Logo depois, com o Rio tomado pelo Aedes aegypti, o prefeito sumiu. Refugiou-se no que chama de "ex-blog" e passou a governar a Cidade Maravilhosa de um laptop. Nos seus devaneios diários, ele já negou a epidemia, já "federalizou" o mosquito e também vem apontando casos da doença em outras capitais, como se isso diminuísse sua responsabilidade. Se Maia fosse um salva-vidas do Posto 9, em Ipanema, as pessoas morreriam afogadas. Como é o alcaide alienado da segunda metrópole do País, elas morrem de dengue.

O prefeito do Rio disse que seria presidente se pudesse salvar 30 vidas. Mas já são 47 os mortos pela dengue na sua cidade

No passado, Cesar Maia era tratado, de um jeito até carinhoso, como o "prefeito maluquinho". Ele criou a teoria dos factóides, tentou comprar sorvete em açougues e incitou uma revolta contra os ponteiros do horário de verão. Depois, começou a posar de estrategista político. Novamente, um fiasco. Maia liderou a desastrada troca de nome do seu partido, de PFL para DEM, e colocou o filho Rodrigo Maia na presidência. Entre as "sacadas" da dupla, há ações judiciais contra o Bolsa Família e a política de cotas para negros nas universidades. Nada mais natural, portanto, que o demófobo DEM já seja tratado como um partido em extinção.

O prefeito do Rio sabe que jamais chegará à Presidência da República. Em 2010, tentará ser vice na chapa de José Serra. Mas, se o governador de São Paulo, que também já foi chamado de ministro da dengue, tiver algum juízo, abortará a idéia. Afinal, até mesmo em Sergipe Cesar Maia será lembrado como um homem sem coragem. Um anti-herói que foge de mosquitos e merece ser internado.


16/4/2008


 
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