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Porto da FAMÍLIA
Ex-governador do Maranhão, João Castelo faz do Porto de Itaqui cabide de emprego para familiares e aliados políticos

SÉRGIO PARDELLAS

Administrado pelo ex-governador e atual presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), João Castelo Ribeiro (PSDB), desde janeiro de 2007, o Porto de Itaqui, no Maranhão, transformouse num empreendimento familiar palco de um festival de irregularidades patrocinadas com dinheiro público. A farra em Itaqui – que integra o segundo maior complexo portuário do País – é escancarada: vai da nomeação de parentes de Castelo, do governador Jackson Lago e de afilhados políticos, todos com salários altíssimos, até a contratação irregular de uma empresa de segurança privada do primo do ex-governador. ISTOÉ teve acesso à folha salarial da Emap com o nome de 97 funcionários que ocupam cargos comissionados no Porto. O documento mostra como Castelo vem privilegiando parentes e aliados com cargos de altos salários. Do total, pelo menos 33 servidores têm algum grau de parentesco com Castelo, Lago e aliados. A folha registra um pagamento mensal de cerca de R$ 900 mil aos comissionados, dos quais R$ 300 mil vão parar nas mãos do grupo de parentes.

Os salários variam entre R$ 7 mil e R$ 13 mil, este maior do que a remuneração de ministro de Estado e equivalente ao de presidente da República. No documento, podem ser identificados como parentes ou apadrinhados de Castelo sua filha Gardênia Maria Santos Ribeiro (R$ 11.462,76), os primos Raimundo Nonato Castelo Cordeiro (R$ 7.051,49) e João Rodolfo Ribeiro Gonçalves (R$ 13.651,59), a ex-nora Vanessa Vieira da Silva (R$ 13.651,59) e os filhos de primos de Castelo José Roberto Duarte Nunes (R$ 11.462,76), Ricardo José Cordeiro de Medeiros (R$ 7.051,49), Leonardo Machado Ribeiro (R$ 7.051,49) e Cláudio Castelo de Carvalho (R$ 7.051,49) e até o filho do ex-chefe de gabinete de Castelo, Patrick Abdalla Britto (R$ 7.051,49). Também figura na lista o advogado de Castelo nas últimas eleições, Celso Correa Pinho (R$ 11 mil).

GILSON FERREIRA/JORNAL PEQUENO
CASTELO Para o ex-governador, as denúncias de nepotismo foram obra do clã Sarney, inconformado com a perda do poder

A folha salarial revela ainda que, indicado ao cargo de presidente da Emap pelo governador Jackson Lago, Castelo não faltou ao amigo na hora de retribuir com cargos e postos de direção a seus parentes no organograma do Porto de Itaqui. Entre os familiares do governador, consta do documento o nome de seu irmão, o diretor administrativo-financeiro do órgão, Antonio Carlos Lago (salário não informado) e do sobrinho de Aderson Lago, primo do governador e chefe da Casa Civil, Gustavo Henrique Jorge Lago (R$ 11.462,76). Houve ainda espaço para empregar também, com vencimentos de R$ 11 mil mensais, um dos filhos do ex-secretário de Castelo e atual pró-reitor de administração da Universidade Estadual do Maranhão, Celso Lago, Celso Antonio Lago Beckman. Aliado e fiel escudeiro de Jackson e Castelo, o ex-governador José Reinaldo Tavares também não deixou de ser contemplado no Porto de Itaqui. O documento mostra que estão empregadas no órgão suas sobrinhas Alessandra Maria Tavares Nahuz (R$ 12.316,11) e Cristiane Maria Tavares (R$ 2.700).

Procurado por ISTOÉ, Castelo disse que o vazamento da folha de pagamento “foi motivado pela contrariedade de alguns parentes ou apadrinhados da família Sarney e de aliados que foram exonerados de cargos de confiança”. Segundo o presidente da Emap, “a nomeação de João Rodolfo (de fato meu primo), assim como a do próprio presidente da empresa e dos demais diretores, é ato de direito exclusivo do governador Jackson Lago”. Para Castelo, “o clã Sarney vem tentando, sem sucesso, retomar o poder no tapetão por meio de um processo fajuto que visa à cassação do governador Jackson Lago”. A briga dos aliados de Jackson Lago e do ex-governador José Reinaldo Tavares com a família Sarney é mais do que notória no Estado.


9/4/2008


 
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