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STÉDILE Proibido de falar pela Justiça, o líder do MST não controla a própria base |
A partir desta semana, os moradores de várias cidades brasileiras deverão sofrer com a mudança de estratégia do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST. Uma nova ofensiva do grupo que um dia empunhou a bandeira da reforma agrária e chegou até a angariar alguma simpatia popular está planejada, anunciada e promete ser a mais agressiva de sua história. Liderados por João Pedro Stédile, os sem-terra promoverão ocupações em todo o País. Segundo Maria Raimunda César, coordenadora nacional do movimento no Pará, prédios públicos serão invadidos, estradas serão fechadas e ocorrerão marchas em direção às capitais e protestos contra grandes empresas transnacionais voltadas para o agronegócio.
Entre os alvos está a Aracruz Celulose, Monsanto, Cargill e Bunge, por exemplo. O movimento também promoverá manifestações pela reestatização da Vale em vários Estados. Oficialmente, a marcha agressiva do MST, hoje com as finanças turbinadas com dinheiro público repassado pelo governo Lula através de ONGs, é chamada de “Abril Vermelho” e tem o objetivo de lembrar o massacre dos 19 trabalhadores rurais ocorrido no dia 17 de abril de 1996, em Eldorado dos Carajás (PA). Na verdade, o que o MST planeja é a primeira demonstração nacional de uma radicalização ideológica que há dois anos vem tomando corpo. Desde 2006, o MST lidera ataques à globalização, ao neoliberalismo e às privatizações – algo que nada tem a ver com a sua luta original. Nesse período, quem experimentou as novas táticas do MST descobriu que, no lugar de promover justiça social, o movimento está afugentando investimentos, empresas e, claro, empregos.
No mês passado, as mulheres da Via Campesina, ligada ao MST, ocuparam a unidade de pesquisa da Monsanto em Xanrerê, na região oeste de Santa Catarina. Cortaram três vãos de cerca e destruíram um viveiro e o campo experimental de milho transgênico da empresa. A Monsanto contabilizou um prejuízo de 100% no milharal. “A empresa acredita que, num regime democrático como o que vivemos, discordâncias – ideológicas ou não – devem ser expressas por meio dos caminhos legais e de livre forma de expressão e não por meio de atentados aos indivíduos e à propriedade privada”, registra nota emitida pela Monsanto. Em janeiro, o alvo do MST foi a Fazenda Coqueiros, a 300 quilômetros de Porto Alegre (RS), invadida pela nona vez em três anos. A fazenda pertence aos irmãos Félix e Vera Guerra e produz soja, milho e trigo. Em setembro de 2007, o MST já tinha explodido dois tratores da propriedade, o que causou um prejuízo de mais de R$ 200 mil.
Em 2006, a Aracruz Celulose, uma empresa produtora de celulose branqueada para a fabricação de papel e “Esperamos que o governo federal não admita o desrespeito à ordem constituída” Paulo Skaf, presidente da Fiesp que responde por cerca de 30% da oferta mundial do produto, foi vítima do movimento. Mil e duzentos integrantes do grupo invadiram a Fazenda Agril e destruíram os laboratórios no Rio Grande do Sul. Depois de render os vigias, rasgaram as estufas e arrancaram com as mãos as mudas dos viveiros. No laboratório, quebraram equipamentos e espalharam pelo chão 500 quilos de sementes. O trabalho de melhoramento das espécies sumiu porque as informações ficaram misturadas. Foram perdidos materiais genéticos coletados em mais de 15 anos de pesquisa. Os prejuízos causados somaram US$ 400 mil. Nesse mesmo ano, o MST queimou soja transgênica, em frente à multinacional Bunge, na BR 466, próximo a Pitanga e Santa Maria do Oeste, região central do Paraná.
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VALE A mineradora que emprega mais de 60 mil pessoas no Brasil é alvo preferencial do MST |
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