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Para crianças com estilo
Designers estrangeiros e nacionais investem em coleções infantis e fidelizam clientes desde o berço

DANIELA MENDES

MINI MIM Cris Barros acaba de lançar sua primeira linha infantil que é igual à para adultas

Na nova loja de Marc Jacobs, em Nova York, não são suas famosas bolsas que atraem a atenção dos clientes. Quem vai lá está à procura de vestidos, sweaters ou casacos – para crianças. A Little Marc, aberta em novembro passado, faz sucesso com os endinheirados que gostam de grife e não se incomodam de desembolsar US$ 300 em uma blusa de cashmere para os filhos. Marc Jacobs é o mais novo estilista a entrar no mercado infantil, um nicho que representou US$ 44 bilhões em vendas em 2007. Há dois anos, ele começou a confeccionar algumas peças, na estação passada lançou uma coleção inteira e agora planeja a abertura de mais duas lojas para crianças nos Estados Unidos este ano.

Hoje, é possível vestir um bebê ou uma criança com grife da cabeça aos pés. Dolce & Gabbana, Armani, Dior, Chloé, Missoni são algumas das marcas internacionais que começaram a fidelizar clientes desde o berço. Os bebês- celebridades também ajudam a dar força à tendência. As fotos da pequena Suri, filha de Tom Cruise e Katie Holmes, vestida de Burberry correram o mundo. E vêm mais opções por aí: o designer John Galliano, da Dior, prepara uma coleção especial para a Diesel, marca italiana de jeans que hoje já atua neste nicho com a Diesel Kids.

MURILLO CONSTANTINO/AG. ISTOÉ
ARTESANAL Isabela Capeto prepara sua primeira coleção solo para crianças

No Brasil, há poucas alternativas de roupas de estilistas internacionais para crianças. Mas quem está no ramo não se arrepende. “Acabamos de vender um enxoval de R$ 6 mil para um político do Nordeste”, conta Márcia Tontvianne, supervisora da loja Petit Lippe, do Rio de Janeiro, que comercializa Baby Dior na unidade do shopping Fashion Mall. É o único endereço no País que vende a linha infantil da Dior. Há dois anos, a Petit Lippe iniciou a parceria com a grife e atualmente recebe cerca de 200 peças por coleção de zero a seis anos. Os preços vão de R$ 140 por um body a R$ 1.400 por um mandrião para batizado. “O nosso cliente viaja muito e costuma comprar lá fora. Mas sempre tem um presente de última hora e aí eles vêm aqui”, diz ela. “O Benício, filho da Angélica, ganhou muitas roupinhas Dior compradas na nossa loja.”

FOFO Sweater da Baby Dior, grife que faz sucesso com os ricos. Os preços vão de R$ 140 por um body a R$ 1.400 por um mandrião

Quem quer fugir do padrão das roupas tradicionais e apostar no diferencial de um designer para vestir o filho com estilo também tem opções nacionais. O inventivo Ronaldo Fraga foi um dos primeiros a confeccionar roupas para crianças. A Ronaldo Fraga para Filhotes foi criada sem grandes pretensões há cinco anos, quando nasceu o primeiro filho dele, Ludovico. Hoje, tem espaço próprio nas lojas de São Paulo e Belo Horizonte e vende desde peças mais baratas, como shorts (R$ 35), até as mais elaboradas, como vestidos de patchwork em tafetá (R$ 435). Ronaldo apoiase na cor, no humor e em pequenas delicadezas feitas à mão e ilustradas com elementos da cultura brasileira para confeccionar as peças destinadas a crianças de zero a dez anos.

A estilista Cris Barros decidiu lançar a Cris Barros Mini para meninas de um a 12 anos depois que viu uma cliente cortar o próprio vestido longo para vestir a filha. “Sempre houve pedidos para fazer roupas para crianças, mas até esse episódio eu não levava isso muito a sério”, conta ela, que ainda não tem filhos. Esta coleção de verão, a primeira da linha infantil, teve ampla aceitação, segundo a estilista. Criadora de peças delicadas e femininas, Cris adaptou os mesmos modelos e estampas dos adultos para as meninas. Mãe e filha podem sair iguaizinhas. “É uma delícia fazer roupas para crianças, é um mercado bacana, que tem apelo fácil”, diz ela.

A designer Isabela Capeto prepara sua primeira coleção solo de roupas infantis para meninas de quatro a dez anos. Em setembro passado, ela lançou alguns modelos em parceria com a Petit Retrô. “É um mundo diferente, dá para criar mais, fazer peças mais divertidas”, diz a estilista. Mãe de Francisca, de nove anos, ela sabe, porém, que este é um universo muito próprio. “Quando eles gostam, amam. Mas, quando odeiam, não há o que uma mãe possa fazer para eles usarem a peça”, afirma. Isabela sabe bem do que está falando. Famosa pelas roupas com um toque artesanal, está conformada com o estilo básico, jeans e camiseta, da filha. “A marca de que ela mais gosta é a Gap.”

DAN STEINBERG/AP/IMAGEPLUS

O segmento de vestuário infantil equivale a 15% do mercado total

O faturamento do setor em 2006 foi de US$ 2,41 bilhões

As confecções para meninas representam cerca de 70% das peças vendidas

Cerca de 1 bilhão de peças são produzidas anualmente


15/2/2008


 
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