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EM DOBRO Depois do nascimento das filhas gêmeas, Corona encurtou o expediente em duas horas |
Nome: Edgar Corona, 51 anos
Cargo: Presidente da Bio Ritmo, maior rede de academias do País, com 16 unidades
Família: Dois casamentos, pai de Carolina, 21 anos, Diogo, 20, Camila, 18, Maria Clara e Maria Paula, 18 meses
"Saio mais tarde do trabalho para, no dia seguinte, ficar com as gêmeas na parte da manhã em casa"
O CEO diz ser comum entre seus pares avançar, sem perceber, o sinal do tempo que deveria ser exclusivo da família. "Há aí uma armadilha que os pega quase sempre. O prazer que o executivo tem com o investimento na vida profissional aparece em um prazo mais curto do que um investimento na vida pessoal", diz a pesquisadora Betania, da FDC. Afonso Celso não esconde que trabalhar horas a fio é um atrativo e que faz isso, em primeiro lugar, porque gosta muito. Mesmo assim, criou o que chama de rotas de correção para não avançar o sinal.
Três anos atrás, ele se matriculou junto com os filhos e a esposa em aulas de tênis. Queria aproximar mais um do outro, fazê-los acordar mais cedo e praticar uma atividade física. Acontecia duas vezes por semana e durou nove meses. Há quatro meses, passou a caminhar pelo condomínio onde mora, durante uma hora toda noite. Está sempre acompanhado pela esposa, Elaine, e eventualmente pelos filhos.
A mais interessante rota de correção, porém, foi apelidada por ele de "sala da família". Trata-se de um local em sua empresa onde desfruta de um almoço com a mulher e os filhos. Desde abril do ano passado, sua esposa pega as crianças no colégio e segue para a Avis pelo menos duas vezes por semana. "Passamos duas horas juntos, comendo, vendo televisão e conversando. Antes, não almoçava com a família nunca", conta ele.
O que aconteceu com Afonso Celso tem um nome técnico, como explica a professora Betania: investimento no processo de autoconhecimento. É quando o executivo, principalmente acima de 50 anos, repensa seus valores e analisa do que estaria disposto a abrir mão em prol de uma vida mais estruturada e equilibrada. Vice-presidente da GP, Guarda Patrimonial, maior grupo de segurança privada do Brasil, José Jacobson Neto, 54 anos, passa por esse processo. Sua dedicação à vida pessoal durante toda a sua trajetória profissional foi, assumidamente, pífia. "Meus filhos foram crescendo e eu, como sempre, me doando pouco a eles e também à minha esposa", diz ele.
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CALMARIA Serson (ao lado da esposa e das duas filhas) diminuiu pela metade o número de viagens a negócios |
Nome: Júlio Serson, 46 anos
Cargo: Presidente do Grupo Serson, referência na área de hotelaria
Família: Um casamento, pai de Rebeca, oito anos, e Luiza, quatro
"Usava meio período do final de semana para trabalhar. Atualmente, não faço mais isso"
Pai de Caio, 26 anos, Rafael, 24, e Fábio, 23, o CEO conta que nunca comprou material escolar ou foi à escola para discutir o comportamento dos filhos. "Eu cobrava dele mais tempo para nós, mas ele nunca tinha", afirma Cristiane, a esposa de Jacobson, que, em 28 anos de casamento, viajou a passeio com o marido apenas quatro vezes. Fábio, o caçula, conta que "desde que se conhece por gente" sempre saiu de férias com os irmãos e a mãe. O especialista na área de comportamento organizacional da FDC, Léo Bruno, pontua que, se o executivo não tem contato físico próximo e freqüente com a família, não consegue ser líder dentro de casa. "Por isso, é uma classe de poucos líderes e muitos gestores do lar. Gestores do colégio, por exemplo, é o que mais tem", completa. Presidente do Grupo Serson, referência em qualidade no ramo de hotelaria, Júlio Serson, 46 anos, divide com a esposa a tarefa de levar as filhas Rebeca, oito anos, e Luiza, quatro, ao colégio. Administrando empreendimentos também nas áreas de construção, incorporação e agropecuária, no Sudeste, Norte e Nordeste, ele passou a viajar uma semana por mês, metade do que ocorria até bem pouco tempo atrás. "Antes, usava meio período do final de semana para trabalhar. Atualmente, não faço mais isso", conta.
A dedicação dele não parou por aí. Júlio foi, ano passado, representante dos pais no colégio da filha caçula. Era o único homem nas reuniões. "Tinha mãe que me ligava, no meio do meu expediente, reclamando que a professora não estava limpando a filha de forma adequada quando ela ia ao banheiro fazer pipi. Outras mandavam e-mail dizendo que a filha não estava sendo alimentada direito", conta ele. "Eu quis participar mesmo. Isso tem a ver com qualidade na relação com a família."
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