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A nova meta dos executivos: Família
Como eles estão enfrentando o desafio de conciliar sucesso profissional com dedicação à mulher e aos filhos

CLÁUDIO GATTI/AG. ISTOÉ

RADICAL Talarico vai a jogos de futebol e pratica esportes com os filhos Bruno e Thomaz (descalço)

Nome: José Talarico, 53 anos
Cargo: Vice-presidente da PepsiCo do Brasil, segunda maior empresa do mundo no ramo de alimentos
Família: Três casamentos, pai de Thamilla, 24 anos, Maria Fernanda, 21, Bruno, 14, e Thomaz, 13

"Hoje, a prioridade são meus filhos e não o trabalho"

Biscoito de polvilho, pipoca, refrigerante e bala de goma espalhados pela cama. Em meio às guloseimas, o executivo carioca José Talarico, 53 anos, e seus filhos, Bruno e Thomaz, de 14 e 13 anos, respectivamente, curtem um de seus programas prediletos: assistir a lutas de vale-tudo pela tevê. Agarrados na cama, numa posição que apelidaram de "macaco", os três não param de se beijar e trocar carinho. Acontece sempre que estão juntos, seja na partida de frescobol na praia, na de sinuca em uma casa de jogos ou nas manobras de skate.

Separado da mãe dos dois garotos e pai de duas outras jovens de outros dois casamentos, o CEO, vice-presidente jurídico e de relações governamentais da PepsiCo do Brasil, costuma ver Bruno e Thomaz nos finais de semana porque trabalha e mora em São Paulo, enquanto seus quatro filhos e suas três exmulheres vivem no Rio de Janeiro. "Continuo trabalhando muito, mas mudei as prioridades. Hoje, a prioridade são os meus filhos e não o meu trabalho", diz ele, que deu folga à gravata, ao laptop e ao BlackBerry, como sempre faz quando está com os filhos, para participar do Family Workshop, evento organizado pelo empresário João Doria Jr. que reúne anualmente as famílias dos principais empreendedores e altos executivos do País em um hotel.

Talarico faz parte de um grupo de CEOs que está trocando o "frenesi mundano" - nome dado por especialistas ao estilo de vida voltado à ambição desmedida dos executivos - por mais atenção, companheirismo e amor à família. "Hoje, meu pai já tira folga do trabalho só para a gente ir ao Maracanã assistir a um jogo do Botafogo", conta Thomaz, filho de Talarico. Entre as mulheres, é possível encontrar casos de altas executivas trocando o cargo da corporação pelos afazeres do lar. Os homens não fazem o mesmo, mas já se percebe um avanço em relação à coresponsabilidade familiar. "Há uma mudança grande deles nas divisões das tarefas e funções familiares e outra, ainda pequena, no que diz respeito às de responsabilidades, principalmente entre os mais jovens", diz a psicóloga e pesquisadora Betania Tanure, da Fundação Dom Cabral (FDC), um centro de excelência de desenvolvimento de executivos, empresários e empresas, em Minas Gerais. Especialista na área de comportamento organizacional, Betania é autora do livro A (in)felicidade dos executivos, que nasceu de uma pesquisa de dois anos para a qual ela entrevistou 1.100 executivos e descobriu que 54% deles se dizem insatisfeitos com o tempo dedicado à vida pessoal. "Dentro de casa, eles não fazem uma avaliação de suas decisões (ou da falta delas), como acontece na hora de tomar uma decisão empresarial", pontua Betania. Outro professor da FDC, Léo F. C. Bruno, acaba de concluir o estudo Contexto dos presidentes junto com Mariá Giuliese. A pesquisa analisou dirigentes de 40 das 500 maiores e melhores empresas do País e concluiu que 39% deles consideram problemas no relacionamento familiar a conseqüência mais nefasta da carreira de executivo.

AGARRADO Afonso Santos almoça com os filhos (ao lado com Lucas, 10 anos) e a família na empresa duas vezes por semana

Nome: Afonso Celso Santos, 50 anos
Cargo: Presidente da Avis do Brasil, uma das maiores locadoras de automóveis do mundo, que possui, no País, 100 lojas
Família: Um casamento, pai de Victor, 15 anos, Lucas, dez, e Flávia, nove

"Sempre tive a consciência pesada por não ver minha família como eu gostaria"

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8/2/2008


 
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