Receitas para ficar rico Especialistas ensinam a acumular dinheiro. Entre as dicas está abrir o próprio negócio. Conheça também seis histórias de quem enriqueceu com trabalho duro, senso de oportunidade e poupança
CARINA RABELO E DANIELA MENDES
ARTHUR COSTA Negócios variados antes de criar a Personal Service, que deverá faturar R$ 180 milhões em 2007
Progredir na vida é o sonho de todo mundo. Construir um patrimônio sólido, não se apertar no fim do mês e ser dono do próprio nariz são metas de quase todos os que vivem de salário. Nos anos de hiperinflação, a preocupação dos brasileiros era descobrir como manter o poder de compra. Com a estabilização da economia, o País entrou na era do crescimento sustentado e o foco das pessoas mudou: elas agora querem estratégias para ficar ricas ou se tornar empreendedoras de sucesso. Acumular capital é um sonho impulsionado pela globalização que tem ampliado as oportunidades de crescimento em diversos nichos e nações, inclusive no Brasil. Ou seja, há mais chances de alguém atingir o topo das camadas sociais. Com o cenário atual fica claro que a tão desejada conquista da fortuna não precisa ser fruto de negócios escusos nem de sorte na loteria.
ATENÇÃO ÀS OPORTUNIDADES
A história do carioca Arthur Costa, 50 anos, dono de uma empresa de recursos humanos, joga por terra a idéia de que, para ter sucesso financeiro, é preciso definir logo a área de atuação. Filho de uma costureira, ele colecionou diversas tentativas de ganhar dinheiro até acertar o alvo. Foi radialista, empreiteiro, vendedor de jazigos. Em 1994, abriu uma empresa de fornecimento de mão-de-obra terceirizada, a Personal Service, que este ano deve faturar R$ 180 milhões. Para vencer, Costa explorou ao máximo duas qualidades: perseverança e ousadia. "Atrevimento foi meu segredo." Seu primeiro passo foi matricular-se aos 18 anos em um curso de videoteipe, em busca de emprego em uma tevê que pagava a universidade dos funcionários. Depois, abriu uma empresa de venda de sacos para lixo e uma companhia de obras para fazer instalação de tubos no Rio. Com quase 40 anos, interessou-se por recursos humanos. "Percebi que as empresas estavam terceirizando serviços." Foi aí que montou a Personal Service. Sua experiência mostra que um empresário deve acreditar no potencial das pessoas e não desanimar diante dos sacrifícios.
Ter disciplina financeira e boas idéias são atualmente as receitas mais seguidas por quem planeja ser chamado de rico. De fato, estar atento a oportunidades de negócios e reduzir desperdícios são os primeiros passos. Mas o que se nota é que há muito mais elementos a compor a escalada rumo ao mundo dos endinheirados. Prova disso é a profusão de livros que apontam esses caminhos. Há uma febre de obras de auto-ajuda financeira. Este ano foram lançados até agora cerca de 20 livros sobre o tema, contra 11 em 2006. Na luta para aumentar a fortuna, milhares de pessoas recorrem a cursos, palestras e feiras especializadas. Recentemente, mais de 20 mil interessados acompanharam a 5ª edição da Expo Money, evento em São Paulo com 175 painéis que discutiam, entre outros assuntos, como conquistar e manter a independência financeira. O evento nasceu na capital paulista e hoje acontece em outros sete municípios ao longo do ano - o próximo será em Belo Horizonte, no final do mês. "O tema educação financeira entrou definitivamente na agenda das pessoas", diz Robert Dannenberg, presidente da TradeNetwork, organizadora da Expo Money.
ROBINSON SHIBA Três anos sem férias para fazer o negócio decolar
REDE DE 130 LOJAS Filho de dentista, Robinson Shiba seguiu naturalmente o caminho do pai. Formou-se em odontologia aos 22 anos e, com a ajuda da família, montou o primeiro consultório. Dando duro das 8h às 21h, três anos depois tinha três consultórios próprios (cada um custou em torno de R$ 60 mil) e arrendava dois. O futuro parecia promissor, mas Robinson resolveu apostar em outro ramo. Em 1992, abriu um restaurante para entregar comida chinesa. O diferencial é que a comida vinha em caixas e dispensava prato, seguindo o modelo, ainda inédito por aqui, que ele havia conhecido nos Estados Unidos. Com um investimento inicial de R$ 120 mil nasceu o China in Box, rede que hoje tem 130 franqueados no Brasil, iniciou as operações no México e faturou no ano passado R$ 27 milhões. O início foi difícil. "Nos primeiros três anos eu não tinha fim de semana nem feriado", conta. Mas compensou. "Tenho certeza de que estou melhor hoje do que se atuasse como dentista", diz Robinson, 40 anos. Ele leva uma vida regrada - "recebo salário como os outros funcionários" -, mas sabe curtir os bons momentos. Passa os fins de semana na praia e, pelo menos uma vez por ano, viaja para fora com a mulher e os dois filhos.
Uma das questões que rondam a mente de quem sonha faturar alto é o que é exatamente ser rico. No País, a renda é tão concentrada que fica difícil distinguir os que estão bem de vida dos milionários. Para o IBGE, os dois grupos se enquadram na última faixa da pirâmide social. Dentro da estreita faixa do 1% mais ricos estão 872 mil brasileiros que receberam, em média, R$ 11.321 por mês em 2006. "A classe média, que tem apartamento e carro, não chama de rico quem ganha R$ 10 mil mensais, mas o cara mais pobre do Nordeste chama", pondera Cymar Azeredo, pesquisador do IBGE. Para o empresário inglês Felix Dennis, autor de How to get rich (Como ficar rico, em português), lançado este ano no Reino Unido, o estado de riqueza que se pode batalhar para atingir é aquele em que a pessoa tem condições de se aposentar - se quiser -, desfrutar do tempo, morar onde desejar, comprar um belo barco e velejar ao pôr-do-sol.
CHRISTINA CARVALHO PINTO A ex-executiva virou dona de agência de publicidade
HORA DA MUDANÇA
Algumas pessoas querem dinheiro para evitar dificuldades no futuro. Outras, como caminho para viver bem, em paz. Este é o caso da publicitária Christina Carvalho Pinto, 56 anos, empresária que consegue conciliar o trabalho com dedicação à família e engajamento social. Aos nove anos, ela escrevia contos.Depois, partiu para o balé e se formou em piano. A publicidade não estava em seus planos. Foi pela necessidade de emprego que Christina aceitou, aos 17 anos, um estágio em agência de propaganda. De lá para cá, tornou-se uma profissional bem-sucedida e rica. "Só faço aquilo que acho certo", diz. Após oito anos na presidência da Young & Rubicam na América Latina - uma grife no mercado de comunicação -, Christina sentiu que era hora de mudar. Abriu, com dinheiro poupado e resgate de investimentos, sua agência em 1996, a Full Jazz, grupo de comunicação de capital 100% nacional e de porte médio. Numa ocasião, perdeu o contrato de duas marcas fortes. Mas Christina focou nos clientes de pequeno porte e ampliou a oferta de serviços. Hoje, ela dedica um terço de seus rendimentos a projetos sociais. Christina tem condições para isso. "Minha receita é abrir caminhos para novas formas de pensar, sem esquecer meus valores."