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Economia & Negócios  
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Greenspan, o escritor
Memórias do ex-presidente do BC dos EUA chegam às livrarias

MILTON GAMEZ

KEVIN LAMARQUE/REUTERS
ENFIM, O LIVRO As frases “emocionantes” de uma autobiografia de US$ 8,5 milhões

Quanto você pagaria pelas memórias de Alan Greenspan, o ex-presidente do FED, o banco central dos Estados Unidos? A Editora Penguim Press desembolsou US$ 8,5 milhões, o segundo maior cachê já pago por um livro de não-ficção. O valor só perde para os US$ 10 milhões embolsados pelo ex-presidente Bill Clinton ao escrever Minha vida e empata com o pagamento do papa João Paulo II por Cruzando o limiar da esperança. Diante de Clinton e do falecido papa, dois líderes extremamente carismáticos e com empolgantes trajetórias pessoais, Greenspan é tão relevante para a literatura quanto uma formiga. Nos 18 anos em que reinou sobre a política monetária americana e mundial, especializou-se em falar de maneira que ninguém o entendesse, usando como ninguém o hermético dialeto Fedspeak. Seu ponto alto na comunicação foi a expressão “exuberância irracional”, sobre o boom das bolsas nos anos 1990. Em público, era o sujeito mais sem graça e chato do planeta. Então por que recebeu tanto dinheiro por sua autobiografia?

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“Nós (seres humanos) perseveramos e avançamos em face da adversidade. É da nossa natureza. Portanto, aprendi, ao longo de décadas, a ser profundamente otimista quanto ao nosso futuro”

“Analisando determinadas opções de política econômica, sempre perguntei a mim mesmo: quais serão os custos para a economia se estivermos errados? Se não há riscos, podemos tentar qualquer política. Mas, se o custo do fracasso (de uma política) é potencialmente muito elevado, esta deve ser evitada”

A resposta você pode conferir a partir desta semana. E por menos de R$ 74, caso aproveite os descontos das livrarias. O livro de Greenspan, A era da turbulência – aventuras em um mundo novo (Elsevier Editora, 616 páginas), teve a estréia mundial marcada para a segunda-feira 17. Nos Estados Unidos, o preço sugerido é de US$ 35, mas a Amazon.com já vende por US$ 23. Nessa faixa de preço, a Penguim Press terá de vender pelo menos 773 mil livros para ganhar o primeiro dólar com as memórias de Greenspan, considerando que fique com 50% das receitas. O autor só receberá mais algum se seduzir mais de dois milhões de leitores. Um desafio e tanto.

Por enquanto, quem havia se entusiasmado com a possibilidade de degustar em primeira mão os primeiros escritos pessoais do Maestro – um comentário escrito no site Amazon.com – quebrou a cara. O sonhado “blog do Greenspan” nasceu e morreu em 31 de agosto passado com apenas uma nota de 595 palavras, no melhor estilo picolé de chuchu: nenhuma intriga sobre ex-colegas e políticos, nenhuma fofoca sobre os bastidores de Washington, nada sobre o poder e seus líderes. O máximo de emoção que ele concedeu foi um inédito ponto de exclamação ao terminar uma frase sobre o ato de escrever em primeira pessoa, depois de tantos anos fazendo áridas análises econômicas: “Eu finalmente poderia usar a minha própria voz!” Uau! “Este foi a primeiro registro de um ponto de exclamação de Mr. Greenspan”, ironizou Jeremy Peters, do The New York Times. “Provavelmente ele está guardando as coisas boas para quem estiver disposto a pagar US$ 35 por seu livro”, cutucou. Espera-se muito do ex-clarinetista que substituiu Paul Volcker no FED, conviveu com todos os presidentes americanos desde Richard Nixon e atuou como bombeiro nas grandes crises financeiras globais de 1987 a 2006.

A apresentação à edição brasileira do livro foi escrita pelo ex-ministro da Fazenda Pedro Sampaio Malan, economista que também não prima pelo carisma pessoal. Curiosamente, Malan abre o texto aludindo a Luiz Inácio Lula da Silva: “‘Nunca antes na história’, como diria nosso presidente, alguém teve tanta influência e por tanto tempo, sobre os mercados (financeiros) quanto Alan Greenspan.” Freud explica? Talvez. Discreto, Malan não dá detalhes instigantes do livro, mas aumenta a expectativa dos “FED watchers” brasileiros. “Greenspan explica seus desentendimentos com Bush-pai, seu afastamento do secretário do Tesouro (Nicholas Brady), sua proximidade com Bob Rubin e Larry Summers”, escreveu o ex-ministro. Será que o livro tem algo mais do que isso? A conferir.

 

19/9/2007


 
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