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| CASO RARO Por um problema genético, Wilson e os filhos Gabriela, Isabela e Rafael não fabricam o HDL. Só há mais uma família no mundo na mesma condição |
A composição do HDL também está sendo estudada. Já se discute que sua qualidade pode ser até mais importante do que a quantidade. O que se sabe é que há 12 tipos de colesterol HDL identificados até agora, alguns mais protetores do que outros. Uma das explicações seria a maior presença de uma lipoproteína chamada APO A1 na composição, fundamental para o trabalho de remoção do colesterol ruim das células. Na Itália, pesquisadores obtiveram bons resultados no controle da doença degenerativa das artérias com injeções de APO A1 em animais. Em humanos, os resultados obtidos até agora foram menos animadores. Mas a informação está sendo usada no dia-a-dia dos pacientes para refinar o diagnóstico. "Realizamos a dosagem da APO A1 em pessoas que já apresentaram evento cardiovascular sem fatores de risco que o justifiquem", explica a cardiologista Danielli Haddad, coordenadora do Check Up do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
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Até 15% a mais de HDL é o que se consegue com exercícios físicos |
Animados com os benefícios do HDL, a ciência quer descobrir várias maneiras de aumentar sua produção. Uma das formas conhecidas é a administração de medicamentos. Hoje, o mais eficaz é a niacina, um tipo de vitamina B conhecido como ácido nicotínico. Em altas doses, como a tomada pela família de Wilson, por exemplo, pode elevar entre 15% e 35% o colesterol bom, mas causa efeitos colaterais como um forte rubor facial. Novas formulações estão sendo testadas e há estudos em andamento para avaliar os resultados da droga em parceria com as estatinas. Usadas para baixar o colesterol ruim, elas também oferecem uma elevação de cerca de 10% do HDL. Outra opção é o rimonabanto. Mas ele deve ser indicado para o paciente correto: obesos ou pessoas de sobrepeso com fatores de risco associados como diabete tipo 2.
As mudanças de estilo de vida também podem ter bom impacto no aumento do HDL. A prática regular de exercícios, por exemplo, eleva em até 15% a concentração de HDL. Uma análise de 25 trabalhos científicos divulgada recentemente mostrou que as atividades mais indicadas são aos aeróbios - de longa duração e baixo impacto -, como caminhar, nadar, andar de bicicleta. A pesquisa indicou também que mais importante do que a intensidade ou variação no tipo de exercício é a duração de cada sessão. Os pesquisadores avaliaram 1404 pessoas em sessões de 24 a 73 minutos. Concluíram que cada dez minutos a mais na duração do exercício corresponderam a 1,4 mg/dl de elevação do HDL. Para que o efeito persista, evidentemente, deve-se fazer exercícios entre três e cinco vezes por semana. O experiente Mauro Guiseline, 56 anos, autor de 20 livros sobre atividade física e coordenador do Instituto Runner, um centro de pesquisas criado há dois anos, constatou o poder dessa verdade na pele. Ocupado com um grande levantamento sobre as condições em que os novatos chegam à academia, reduziu seu ritmo de exercícios. "Quando fiz meus exames de rotina, vi que o HDL tinha caído para 32. Aumentei a atividade física e em três meses ele subiu para 48 novamente", diz. Outra medida que estimula a produção do HDL é deixar de fumar. "O cigarro abaixa o HDL e aumenta o mau colesterol", explica o cardiologista Marco Antônio de Mattos, do Instituto Nacional de Cardiologia, do Rio de Janeiro.
Prestar atenção no cardápio também deve fazer parte do processo de elevação do HDL. Embora a alimentação tenha muito menos impacto neste sentido, ela pode ajudar. Uma avaliação das evidências contidas em vários artigos científicos atestou que acrescentar alimentos ricos em ômega 3 à dieta, como sardinha e margarinas e leite enriquecidos, pode ser útil. Porém há uma corrente de médicos que discute se isso vale para peixes de criadouro, que não teriam boas quantidades do composto. Além disso, alimentos como azeite extravirgem, nozes e grãos também auxiliam. Mais: segundo os especialistas, tomar um ou dois drinques por dia, o equivalente a 15 gramas de álcool para mulheres e 30 para homens, também oferece uma discreta ajuda à elevação do HDL. O grande cuidado, no entanto, é não aumentar demais a ingestão de calorias e carboidratos. Afinal, outro jeito eficiente para aumentar o colesterol bom é perder peso e a gordura abdominal. Sabe-se que os obesos apresentam quantidades menores do colesterol protetor. O ideal mesmo é combinar os recursos para melhorar a quantidade do bom colesterol. Cada ponto a mais significa um corpo mais saudável.
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