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O Japão é aqui
Jovens brasileiros estão cada vez mais próximos da cultura japonesa: a roupa extravagante e o estilo de personagens orientais ganharam as ruas

LENA CASTELLÓN

REDUTO Fãs de desenhos japoneses, como Roberta (ao centro) e Eduardo (de peruca), se reúnem na praça da Liberdade (SP)
Moda das ruas
Um glossário para entender a onda
Conhecer Tóquio era um sonho antigo do webdesigner carioca Marcelo Fernandes, 30 anos. Na semana passada, ele pôde concretizar o desejo graças a uma passagem que ganhou em um concurso. Faturar assim um presente desses seria um belo motivo para comemorações, porém Marcelo optou pela discrição e não alardeou muito seu feito. Afinal, para isso teria de revelar sua "identidade secreta". Marcelo é cosplayer. Ou seja, pratica cosplay, hobby em que as pessoas se vestem e interpretam personagens de videogame, mangá (quadrinho japonês) e anime, os desenhos animados. Ele e sua noiva, Thaís Jussim, venceram um campeonato classificatório para o equivalente a uma Copa do Mundo de cosplay, marcado para este domingo, no Japão. Que ninguém pense que isso é pura diversão. O casal irá enfrentar concorrentes de 12 países em busca do segundo título do Brasil no torneio. No ano passado, os irmãos paulistas Mônica e Maurício Olivas faturaram o primeiro lugar. Ou seja, não falta pressão.

PALCO Marcelo ganhou concurso e passagem para Tóquio, seu sonho

A fantasia de Marcelo - com a qual venceu no Brasil - é o personagem de um desenho já exibido na Rede Globo e no canal Cartoon Network: Inu-Yasha. Foram três meses para aprontar vestimenta, perucas, acessórios e figurino da encenação que faz parte desse tipo de concurso. Thaís, 24 anos, vestiu-se de Sesshoumaru, irmão de Inu-Yasha. No total, gastaram perto de R$ 2 mil. "Já disputei vários concursos e tive outras vitórias", conta Thaís, que já fez 43 cosplays. No Rio de Janeiro, há ao menos um evento por mês para cosplayers. "Têm pessoas que não entendem que muita gente gosta de se fantasiar desse modo. Às vezes digo que faço teatro", conta Marcelo.

FASHION A estilista Thaís Losso, da Sommer, criou peças inspiradas no Japão

Fazer cosplay é uma prática que se alastra pelo País. No Orkut, são mais de 400 comunidades, com participação de pessoas de norte a sul do País. E há festivais de mangás e animes em que cosplayers comparecem em peso. A graça está em encontrar amigos, conhecer outros fãs (apelidados de otakus) ou simplesmente chamar atenção. Em São Paulo e no Paraná, onde há colônias japonesas, há um intenso calendário de festas. Porém, até lugares como Bahia e Distrito Federal contam com convenções para fanáticos pelos animes (pronuncia-se animê). E eles não são poucos. A editora JBC, especializada em cultura japonesa, vende mangás para todo o País. "Os maiores mercados estão em São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Porto Alegre", diz o editor-executivo Júlio Moreno. Os mangás são a porta de entrada para um mundo maior. A partir deles, surge o anime, a j-music (música), o game, a camiseta, o cosplay. "A força do mangá é tão intensa que os leitores quiseram incorporar o personagem. Foi por isso que o cosplay virou um hobby", diz Moreno.

A extravagante maneira de se vestir da juventude de Tóquio - com acessórios multicoloridos ou vestimentas inspiradas no século XIX - também influencia pessoas de diversos países. "Não é uma moda de uso diário. Nos finais de semana, os jovens vão com roupas convencionais para os pontos de encontro, só que trocam e se maquiam mesmo na praça, na frente de todos. Não é cosplay, mas é como colocar uma fantasia", afirma Cristiane Sato, autora do recém-lançado Japop - o poder da cultura pop japonesa. A estilista Thais Losso, da grife Sommer, esteve em Tóquio em fevereiro e, em maio, no Fashion Rio, apresentou uma coleção com temática oriental. Contratou cosplayers e exibiu vídeos do popular desenho Naruto em seu desfile. "Busco inspiração no comportamento e nas atitudes que estão em alta, e a cultura japonesa voltou a estar na moda."

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8/8/2007


 
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