Corpo negro contra a violência
No novo espetáculo do grupo Corpo, que estréia no dia 1º de agosto, no Teatro Alfa, em São Paulo (depois cumpre turnê pelo País), o coreógrafo Rodrigo Pederneiras aborda a violência – é por isso que o nome do balé é Breu. Vestidos com malhas em padronagens preta e branca e maquiados com pancake, os bailarinos dessa companhia mineira dançam sobre um linóleo também preto e com cenário da mesma cor: formado por 1,8 mil placas de fibra de vidro. Todas, é claro, negras. Como tem acontecido em suas produções recentes, a trilha ficou a cargo de um compositor brasileiro: Lenine, criador de uma peça densa que vai do frevo ao rock, tudo com muita eletrônica. Seguindo a guinada do espetáculo anterior (Onqotô), a trupe esmera-se em quedas bruscas, subidas lentas e muitos movimentos que se desenvolvem a partir do chão.
5 coreografias do corpo
LECUONA Reunião de pas-de-deux sobre músicas do cubano Ernesto Lecuona. O final é um grande número de baile
ONQOTÔ Os bailarinos entram em cena por uma cortina feita de tiras de borracha. Música é de Caetano Veloso e José Miguel Wisnik
O CORPO Arnaldo Antunes compôs uma trilha nervosa para um dos balés mais urbanos da trupe
PARABELO O universo nordestino está presente nesse espetáculo que tem música composta por Tom Zé e Wisnik
SETE OU OITO PEÇAS PARA UM BALÉ O programa de abertura da atual turnê não é apresentado desde 1999. O americano Philip Glass e o grupo Uakti assinam a trilha
CINEMA
Filho da Buena onda
Daniel Burman é um dos bons diretores argentinos revelados na chamada buena onda – safra de filmes nascida da crise atravessada pela Argentina. Mais centrados na temática familiar, seus filmes oferecem um interessante recorte da comunidade judaica de Buenos Aires. Não é diferente na comédia As leis de família, em cartaz no dia 3 em São Paulo e no Rio de Janeiro, sobre um jovem advogado que vive à sombra do pai, que tem a mesma profissão – o inverso do filme anterior, O abraço partido, que tratava justamente da ausência da figura paterna. Mais uma vez Burman usa como alter ego o ator uruguaio Daniel Hendler, estrela da trilogia iniciada com Esperando o Messias.
TEATRO
QUATRO PEQUENOS MILAGRES
O Grupo Galpão de Belo Horizonte lançou no ano passado a campanha Conte sua história. Recebeu 550 relatos de pessoas de todo o País narrando acontecimentos vividos por elas. Quatro deles estão sendo levados agora ao palco na peça Pequenos milagres, em cartaz no Sesc Anchieta, em São Paulo, em comemoração aos 25 anos da companhia. São eles: Cabeça de cachorro (aventura de um menino de 11 anos que vai a uma cidade grande), O pracinha da FEB (mergulho no passado de um expedicionário), O vestido (sobre uma mulher que realiza um sonho da adolescência) e Casal náufrago (casal tenta resolver seus problemas no programa Show do Milhão).
MÚSICA
Uma guitarra, uma bateria e um bom rock and roll
Há oito anos a dupla americana White Stripes, formada por Jack e Meg White, vem provando que não é preciso mais que uma guitarra e uma bateria para se fazer um ótimo rock and roll. Em Icky thump (sexto álbum), a mistura minimalista de blues e punk vem acrescida de novidades como os metais de mariachi, na música Conquest, e a gaita de fole escocesa em Prickly thorn, but sweetly worn e St. Andrew (this battle is in the air). Para aumentar o exotismo, os dois aparecem no disco vestidos com roupas bordadas da cabeça aos pés. Não se trata de uma homenagem a Elvis: são trajes tradicionais, enfeitados com botões, usados por vendedores londrinos desde o seculo XIX.
DVD
A morte de Kurt Cobain
Quem assistir Últimos dias em busca de respostas para o suicídio do roqueiro Kurt Cobain vai se frustrar. Baseado no período de depressão do líder do Nirvana, o filme não avança em nada a respeito de sua morte. Cobain é interpretado por Michael Pitt. Com um enredo mínimo, o filme mostra apenas o isolamento do guitarrista em um castelo no meio de uma mata, alheio aos amigos drogados e aos visitantes inoportunos. O diretor Gus van Sant consegue nos colocar na atmosfera de alheamento que leva uma pessoa a tirar a própria vida.
AGENDA
DO TAMANHO DO BRASIL - mostra de arte popular (Unidade Provisória Sesc Avenida Paulista, até 2/9) – 300 obras em cerâmica e madeira dos maiores artistas populares brasileiros, entre eles Mestre Vitalino, Nuca, Agnaldo, GTO e Conceição dos Bugres
COMUNISMO DA FORMA (Galeria Vermelho, São Paulo) – A linguagem do videoclipe na arte contemporânea da suíça Pipilotti Rist e do cineasta tailandês Apichatpong Weerasethakul, entre outros
BEAUTIFUL EARTH (Paço das Artes, São Paulo, até o dia 7/10) - Duas séries inéditas do brasileiro radicado em Nova York Vik Muniz. Em Pictures of junk, ele reproduz telas de gênios como Caravaggio e Goya. Na outra, Pictures of earth, mostra fotos aéreas de gigantescos desenhos feitos na terra com escavadeiras