Q U A D R I N H O S
Uma obra com muitas (e boas) histórias
O desenhista americano Will Eisner, falecido em 2005, repetiu inúmeras vezes que criara a expressão graphic novel somente para despertar o interesse das editoras por seus quadrinhos que retratam o cotidiano dos moradores de um cortiço em Nova York. Pois bem: o termo que ele inventou acabou se popularizando e Eisner viu-se cercado de convites de editoras.
Foi assim que em 1978 saiu Um contrato com Deus e outras histórias de cortiço, obra que ganha agora nova edição. No prefácio o criador do herói Spirit fala da morte de sua filha, oito anos antes da publicação do livro, drama pessoal que foi transportado para o personagem Frimme Hersh - isso está em Um contrato com Deus. Já a parte do livro intitulada Outras histórias de cortiço engloba O cantor de rua, O zelador e Cookalein.
5 QUADRINHOS DE WILL EISNER
FAGIN, O JUDEU
A história de Oliver Twist, de Charles Dickens, sob a ótica do judeu Fagin, o personagem vilão da história original
COMPLÔ: A HISTÓRIA SECRETA DOS PROTOCOLOS DOS SÁBIOS DE SIÃO
Eisner questiona a credibilidade dos escritos anti-semitas
O NOME DO JOGO
Fábula moderna sobre três famílias judias que lutam para conseguir dinheiro e posição social
ÚLTIMO DIA NO VIETNÃ
Seis histórias sobre soldados no campo de batalha, criadas quando Eisner era correspondente de guerra
O ÚLTIMO CAVALEIRO ANDANTE
Dom Quixote de La Mancha, o personagem de Miguel de Cervantes, ganha os traços do desenhista
F O T O G R A F I A
Retratos de ZÉLIA GATTAI
Mais conhecida como escritora, Zélia Gattai também é uma fotógrafa de rara sensibilidade. Provam isso as 42 imagens da exposição Zélia Gattai Amado - um olhar imortal, em cartaz até setembro na Reserva Imbassaí, no litoral norte da Bahia. Entre as fotos selecionadas (que darão origem a um livro) aparecem retratos do ditador cubano Fidel Castro (1986) e do casal Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir (1960) - marido e mulher usando adereços indígenas numa viagem à Ilha do Bananal.
C I N E M A
A solidão urbana de ALAIN RESNAIS
Numa Paris recriada em estúdio e da qual se vê apenas a neve, através de janelas, seis pessoas lutam contra a solidão e o envelhecimento. Esse é o fio condutor do enredo de Medos privados em espaços públicos, filme de Alain Resnais (em cartaz no dia 13). Há um corretor de imóveis que vive com a irmã carente e sofre uma perversa sedução de sua secretária, há um casal em crise que procura um apartamento e há o barman cujo pai doente vive entrevado na cama. Por obra do acaso, essas pessoas acabam atuando umas na vida das outras, embora o grupo não tenha nenhuma intimidade. Essa ciranda faz a graça dessa enxuta comédia dramática de um dos grandes mestres do cinema.
D V D
A infância de TRUFFAUT
Inspirando-se na sua própria infância pobre e de menor infrator, o diretor François Truffaut criou o personagem Antoine Doinel (interpretado por Jean- Pierre Léaud) no filme Os incompreendidos (1959). O que ele não esperava é que o sucesso fosse tanto a ponto de ter de filmar mais quatro episódios retratando a adolescência, a juventude e a vida adulta desse personagem. O curioso é que a interpretação sempre foi de Léaud, ou seja, o ator foi crescendo, em fama e no físico, com a sua criação - e isso ao longo de duas décadas. Os incompreendidos é o primeiro titulo da coleção As aventuras de Antoine Doinel. É um filme emocionante que entrou para a galeria dos clássicos do cinema.
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