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Opinião & Idéias  
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O PROFESSOR ALOPRADO
Cláudio Camargo

O filósofo Roberto Mangabeira Unger, ministro da recém-criada Secretaria de Planejamento de Longo Prazo (Sealopra), é professor licenciado de Harvard e passou 36 anos nos Estados Unidos. Ele ficou tão marcado pela cultura de Tio Sam que até hoje fala com aquele inconfundível sotaque de gringo abrasileirado. O suposto fascínio de Mangabeira pela sociedade americana já lhe trouxe dissabores antes mesmo da posse: o coronel Oswaldo Oliva Neto, chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE), transferido para a Sealopra, renunciou ao cargo por temer que o filósofo implante no órgão padrões americanos de planejamento, contrariando o modelo europeu de gestão adotado até agora. Para evitar atritos – Oliva, aliás, é irmão do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) –, o coronel foi deslocado para a Casa Civil.

No entanto, o professor de Harvard é muito mais brasileiro do que supõe nossa vã filosofia. E pelo pior lado, o das mazelas. Ao aceitar ocupar um ministério de um governo que no passado ele classificou como “o mais corrupto da História”, a ponto de pedir o impeachment do presidente Lula, Mangabeira se revelou pertencer àquela linhagem de intelectuais tupiniquins “de esquerda” que costumam não resistir ao canto das sereias do poder. No passado, havia a justificativa de que a cooptação da intelligentsia progressista pelo Estado era inevitável num país desprovido de uma forte sociedade civil. Mangabeira, entretanto, é de outra estirpe. De eterno Golbery à procura de um Geisel – passou por Ulysses Guimarães, Brizola e Ciro Gomes –, o filósofo chegou a cogitar a própria candidatura à Presidência. Acabou no PRB, espécie de ersatz da Igreja Universal de Edir Macedo. Ah, e nas horas vagas, o professor foi consultor e trustee da Brasil Telecom. Com ele, o “esqueçam o que escrevi” foi definitivamente substituído pelo “esqueçam o que eu fiz”.

Cláudio Camargo é Editorialista e Editor da Revista ISTOÉ

SEGURANÇA COM FORMAÇÃO E CIDADANIA
Renato Casagrande

A violência e a conseqüente crise do sistema de segurança pública não se resolverão por medidas isoladas de repressão ou pelo agravamento de penas. O problema exige uma política estruturante e contínua capaz de mexer em aspectos da prevenção, da repressão ao crime e da proteção ao cidadão. É preciso mudar a metodologia de formação de oficiais e agentes, adotando para eles uma linguagem nacional. Tal medida tem por objetivo promover a interação e articulação entre os órgãos federais, estaduais e municipais de segurança e destes com a sociedade. Para isso, o Estado terá de superar conceitos arcaicos, eliminar burocracia, criar estruturas flexíveis, capazes de acompanhar as mudanças sociais e incorporar os avanços científicos e tecnológicos.

Nosso sistema de segurança pública é fragmentário, marcado pelo isolamento das instituições. É preciso olhar a segurança pública como política de Estado, não apenas de governo, harmonizando e disciplinando as relações da polícia com o Poder Judiciário, o Ministério Público e as autoridades fazendárias de Planejamento e de Ciência e Tecnologia. Por isso, encaminhei ao ministro da Justiça, Tarso Genro, proposta de criação da Escola Nacional de Segurança Pública e Proteção Social, como contribuição ao chamado PAC da Segurança que o governo divulgará em breve.

A proposta é criar uma autarquia multidisciplinar e vinculada ao Ministério da Justiça, que tenha identidade com todos os segmentos sociais e seja, rigorosamente, ética. Ela precisa sistematizar e unificar a formação dos seus quadros, respeitando as peculiaridades regionais e locais, além de ficar livre dos percalços do contingenciamento orçamentário.

A criação da ENSP produzirá efeitos positivos na repressão, desde que possa coordenar a atuação das diferentes instituições e corporações. O resultado será maior efetividade no combate ao crime.

Renato Casagrande é Líder do PSB no Senado

21/6/2007


 
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