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| SECOND LIFE Há três instituições brasileiras de ensino na comunidade. Professores do Senac São Paulo dão aulas de edição de imagem |
Como era de se esperar, os estudantes dos colégios privados estão bem à frente. Alguns dispõem de recursos de ponta, um verdadeiro Matrix educacional. O Objetivo, de São Paulo, recorre à realidade virtual para estimular a garotada. Um dos aparelhos preferidos é o skate voador. A base é acoplada a um simulador de movimentos. O adolescente sobe no skate e usa óculos eletrônicos que fazem uma "viagem" pelas ruas paulistanas de acordo com a manobra executada. Assim o aluno aprende, de modo muito mais atraente, noções de geografia, como relevo, vegetação e clima. "É muito legal. Mistura aventura radical com aprendizado", vibra Rafaella Tomaselli, 13 anos.
Com o Plano de Desenvolvimento da Educação, o governo quer investir
R$ 650 milhões nas escolas públicas para acabar com a falta de computadores. Há quem critique o plano por valorizar demais a máquina.Especialistas negam: o professor continua sendo a base
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| REDE PÚBLICA Em Araxá (MG), crianças e adolescentes fazem pesquisas pela internet e elaboram trabalhos orientados pelo professor |
Mesmo para as aulas de português a internet pode trazer benefícios. Muita gente reclama que a linguagem dos adolescentes em suas conversas na rede mundial de computadores está aniquilando o idioma - mania que, em geral, não avança para as redações escolares. Mas o computador pode ajudar, se o professor quiser. Foi essa a decisão de Anaídes Maria da Silva, do Colégio Humboldt, em São Paulo. Ela resolveu aproveitar uma viagem que a turma fez para Paranapiacaba (antiga vila localizada na Serra do Mar) e incentivou os alunos a criar um site para postar fotos e poesias com um olhar literário sobre a cidade. Em português correto, ressalte-se. É uma boa estratégia. Stefanie Panza, 17 anos, ganhou apoio da professora para registrar em um blog as mais de 100 poesias que já escreveu. "É um laboratório para um livro no futuro", conta a moça.
Para o ensino brasileiro, o futuro está começando agora, como indica o crescimento do uso da informática nas escolas. É o caso das chamadas lousas digitais - sistema de software que projeta na parede o conteúdo das aulas. "Estamos no Brasil há nove anos e vendemos três mil unidades do produto. Metade foi vendida somente no último ano", contabiliza Claudia Scheiner, diretora-geral da fabricante Smart Technologies. Uma das escolas que adotaram a lousa é o Colégio Ciman, de Brasília. "O instrumento faz com que o aluno participe mais ativamente", diz o diretor Mark Anderson
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| MBA A DISTÂNCIA Thiago estudou gestão empresarial em parte pelo computador. Ele estava sem tempo para ir à faculdade |
Com tudo isso, uma dúvida paira no ar. É sabido que o Brasil enfrenta um sério problema: a falta de computadores. Porém, o recém-lançado Plano de Desenvolvimento da Educação do governo federal pretende zerar esse déficit. Estão previstos gastos de R$ 650 milhões para instalar computadores na rede pública. Em um país onde os professores ganham tão mal e são pouco valorizados, há quem critique o plano e considere que as máquinas se tornaram mais importantes que os mestres. Os especialistas não concordam. "O professor continua sendo a base. Com esses recursos ele vai poder fazer o aluno experimentar mais, ousar mais, achar novas soluções", diz a professora Wânia Clemente de Castro, coordenadora do programa Século XXI, da Prefeitura do Rio. Segundo o senador Cristovam Buarque, ex-ministro da Educação, professor é cabeça, coração e bolso. "Bolso bem remunerado, coração bem dedicado e cabeça bem informada. O computador tem de estar na cabeça dele", avisa (leia mais ao lado). Além disso, os mestres devem entender que as pessoas vivem ligadas à internet. "Eles têm de falar a língua do aluno", recomenda Ivanise Santos, gerente do Centro de Tecnologia e Gestão Educacional do Senac Rio. Afinado com esses novos recursos interativos, o professor cumprirá com mais eficiência a tarefa de ensinar.
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