A despesa financeira das empresas de capital aberto está consumindo quase de um terço da receita líquida. O crescimento do endividamento com a desvalorização cambial e o juro alto apertaram o caixa das empresas. A conclusão foi obtita com uma pesquisa com 70 companhias de capital aberto feita pelo professor Alberto Borges Mathias, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (SP).Mathias, também executivo da empresa Austin Asis, afirma que a despesa financeira do conjunto de empresas subiu de 9,5% no primeiro semestre do ano passado para 29,4% no primeiro semestre deste ano. Poderá haver redução do total das despesas nos balanços de final de ano, com o recuo do dólar.
"Além do crescimento do débito e do serviço da dívida causado pela desvalorização cambial, grande parte das empresas teve prejuízo e não conseguiu servir a dívida já existente, tomando novos empréstimos", diz Mathias, explicando o crescimento do endividamento e das despesas.
O levantamento, com base nos balanços de junho, constatou que nessas empresas o endividamento total atingia 101,6% do patrimônio líquido. Outro estudo, baseado nos balanços de setembro de cem empresas, mostrou recuo do endividamento total sobre o patrimônio líquido para 45%. O endividamento, que atingiu neste ano os maiores níveis sobre o patrimônio desde o início do real, poderia ter crescido mais se a Receita Federal não tivesse permitido distribuir o prejuízo com a variação cambial (diferimento) por vários anos.