A Moody's Investors Service elevou a classificação da dívida do governo brasileiro em reais, a primeira mudança desse tipo por uma agência de classificação de riscos desde que o Brasil foi envolvido na crise financeira internacional depois da moratória russa em agosto de 1998. Os investidores se animaram com o movimento da Moody's. O "C-bond", principal título da dívida externa brasileira, subiu 0,5 ponto percentual para 74% do valor de face depois das notícias na quinta-feira. Em janeiro, quando o Brasil desvalorizou o real, o C-bond chegou a ser cotado a 47,5%.A Moody's disse que a elevação dos ratings refletiu o retorno do Brasil à maior estabilidade desfrutada pelo país antes que a crise russa secasse o fluxo de capitais aos países emergentes por todo o mundo. Analistas apoiaram o movimento da agência por reconhecer que o Brasil deu a volta por cima em 1999 depois do choque da desvalorização em janeiro.
A recuperação econômica do Brasil da turbulência do segundo semestre do ano passado e da desvalorização cambial em janeiro surpreendeu os analistas, que previam que o Produto Interno Bruto (PIB) do país poderia se contrair em até 5% neste ano.
Em lugar disso, o Brasil se recuperou e pode mesmo apresentar um crescimento de 0,5% em 1999. O país também está cumprindo as metas fiscais acertadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para a disponibilização de um pacote de ajuda de 41,5 bilhões de dólares. Analistas disseram que a elevação da nota reflete o que o mercado está pensando.
"Isso é um reflexo da percepção de mercado e da continuidade de bons resultados fiscais ao longo de 1999", disse Mailson da Nóbrega, economista na consultoria Tendências e ex-ministro da Fazenda. "É a primeira vez que Brasil vai cumprir quatro trimestres de metas fiscais com o FMI."