Os manifestantes e Organizações Não-Governamentais (ONG), que perturbaram a organização da III Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), cantaram vitória esta sexta-feira, ao saber que os quatro dias de trabalhos terminaram em fracasso.A última noite de protestos se transformou numa festa de rua, assim que chegou a notícia de que os debates foram suspensos sem acordo, e que só serão retomados em Genebra depois do Natal. Gritos de alegria e cantos irromperam entre cerca de 600 manifestantes que acampavam diante da prisão do condado de King, para pedir a liberação de companheiros detidos.
A notícia se espalhou dentro da cadeia, provocando novas explosões de alegria, segundo um ativista que conseguiu se comunicar com os internos através de um telefone celular.
"Ding Dong, a Rodada está morta", anunciava uma declaração conjunta de vários grupos sindicais, ambientais e de consumidores, enquanto outros afirmavam que "se fez história em Seattle" por terem conseguido o objetivo de bloquear o lançamento de uma nova rodada de negociações globais, chamada de Rodada do Milênio. As novas tentativas de liberalizar o comércio mundial continuam depois do Natal, em Genebra, sede da OMC, mas já ao nível de delegações nacionais e não mais de ministros, disse Keith Rockwell, porta-voz da OMC.
Segundo a ONG Amigos da Terra, foi a "oposição civil que bloqueou a reunião da OMC"."As forças ecologistas, sindicais e agrícolas infligiram um golpe fatal na busca de uma agenda de livre comércio global". Os grupos "verdes" defendem regras para restringir o comércio de produtos modificados geneticamente, considerados uma ameaça à biodiversidade, e vêem a OMC como um poder capaz de eliminar essas regras em nome do livre comércio.
O Greenpeace afirmou, por sua vez, que a OMC "nunca voltará a ser a mesma de antes", e se quiser evitar os protestos populares terá que efetuar sua próxima conferência em Pyongyang, a capital da Coréia do Norte. Segundo a porta-voz da organização, Cindy Baxter, os protestos também incentivaram os países pobres a tomar posições mais firmes, no âmbito da OMC.
"As manifestações deram coragem aos países em desenvolvimento para se pôr de pé e dizer "não" a um acordo que ia contra seus interesses", disse Baxter. Tetteh Hormeku, representante de uma ONG africana, disse que "a credibilidade da OMC foi danificada, e será um desafio repará-la".
A Oxfam, a ONG britânica que se dedica a ajudar os países mais pobres, atribui a culpa do fracasso ao fato de que se tentou excluir da mesa de negociações os países em desenvolvimento. "A lição de Seattle é que a OMC requer uma reforma radical para que não siga sendo um clube de ricos", disse Penny Fowler, assessora da Oxfam.