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Acordo com o FMI completa um ano com bons resultados

Sábado, 13 de novembro de 1999, 14h30min
O Brasil comemora no sábado o primeiro aniversário do pacote de ajuda de US$ 41,5 bilhões com o FMI, que falhou na missão básica de evitar uma desvalorização da moeda, mas criou condições para uma rápida recuperação econômica.

Por praticamente todas as avaliações, a maior economia latino-americana ultrapassou as expectativas este ano, demonstrando consistentemente que os pessimistas estavam errados.

"Muita gente que estava com medo que o Brasil fosse implodir, inclusive eu, se mostrou equivocada", disse Walter Molano, chefe de pesquisa do BCP Securities em Nova York.

A economia brasileira deve na verdade crescer este ano, enquanto países como Argentina e Chile passam pela pior recessão da década.

O Brasil retornou ao mercado internacional de capitais, com seis emissões de bônus externos. Os investidores externos também estão retornando ao mercado brasileiro de ações, que esta semana apresentou a maior alta em dois anos.

Os investimentos estrangeiros diretos continuam fluindo para o país, com a DaimlerCrhysler's Mercedes Benz se comprometendo esta semana com um investimento de US$ 500 milhões nos próximos três anos.

O Brasil conseguiu fazer tudo isso retirando apenas cerca de US$ 19 bilhões do valor total do pacote coordenado pelo FMI, de acordo com economistas. Há um ano, isso parecia algo impossível.

Com a desvalorização e a moratória parcial de títulos na Rússia em agosto do ano passado, os investidores tiraram US$ 30 bilhões do Brasil, temendo que o país fosse seguir os passos russos ao caos econômico.

O Fundo Monetário Internacional moveu-se rapidamente para montar o pacote de ajuda de US$ 41,5 bilhões, desenhado para dar sustentação ao real.

Com as autoridades brasileiras vendendo dólar para conter a desvalorização da moeda, o real se manteve por dois meses.

Por fim, tornou-se óbvio que esta estratégia iria dilapidar as reservas internacionais brasileiras, e o Brasil foi obrigado a deixar o real flutuar livremente frente ao dólar.

Inicialmente, economistas disseram que a desvalorização traria de volta uma inflação superior a 80% ao ano e causaria uma contração da economia acima de 7% neste ano.

Até mesmo o FMI previu que a economia iria encolher entre 3,5% a 4% este ano.

Apesar da economia não estar apresentando um grande crescimento, esses cenários pessimistas não poderiam estar mais longe da verdade.

Na última revisão do acordo com o FMI, concluída em outubro, a previsão é de um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) este ano entre 0,2% e 0,5%.

O governo espera um crescimento no próximo ano de 4%, com a redução dos juros e a continuidade do ingresso de investimentos.

Roberto Padovani, economista da Tendência Consultorias, disse que a opção do Banco Central por um regime de metas inflacionárias na condução da política monetária deu resultado.

"Você tem agora claramente um cenário (para a política monetária)", disse Padovani.

O FMI aceitou introduzir o sistema de metas de inflação nos termos do acordo como um dos critérios de desempenho da economia, reforçando ainda mais as expectativas de inflação baixa.

A meta do governo para inflação este ano é de 8 porcento, caindo para 6 porcento no ano 2000.

O diretor gerente do FMI, Michel Camdessus, anunciou a sua demissão na mesma semana do aniversário do acordo com o Brasil, que deve ser o último grande pacote de ajuda dos 12 anos de sua administração.

Camdessus disse que este era o momento certo para deixar o cargo já que as tendências econômicas são favoráveis.

"Por isso eu considero como meu dever agora sugerir que vocês tirem vantagem dessas circunstâncias favoráveis para selecionar o meu substituto", disse Camdessus em sua carta de demissão.

"Eu acho que é um quadro complexo porque o Brasil de certa forma foi o último dos grandes programas de ajuda", disse Molano. "Isso somado à saída de Camdessus, eu compararia ao fim de uma era".    

Reuters

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