O presidente do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, Alan Greenspan, alertou os bancos na noite de ontem a aumentarem suas reservas como medida de segurança contra uma possível crise no mercado financeiro, um sinal de que está preocupado com uma eventual bolha nos preços das ações nos Estados Unidos. Mesmo dizendo que não estava prevendo uma quebra em Wall Street, Greenspan ressaltou durante uma conferência bancária que investidores "inevitavelmente" perdem a confiança de tempos em tempos e que, por isso, as instituições devem elevar suas reservas para dar conta dessa possibilidade.
"A história nos fala que viradas críticas na confiança (dos investidores) acontecem abruptamente, muito freqüentemente quase sem aviso prévio", disse. "Tais revezes podem se auto-alimentar, o que pode gerar ajustes consideráveis em um curto período de tempo."
Greenspan, cujos comentários sobre a "exuberância irracional" dos preços das ações assustou os mercados em dezembro de 1996, usou um discurso mais ameno na quinta-feira para relembrar investidores que o bom desempenho do mercado acionário nos anos 90 não é um fato típico e que não há garantia de que isso vá continuar.
Os comentários do presidente do Fed levaram a uma queda imediata dos preços das ações no mercado futuro nos EUA e fizeram o dólar cair de uma alta de 107,63 ienes no meio do dia para 106,57 ienes no fim do pregão japonês na sexta-feira.
Greenspan disse que a diversificação entre diferente tipos de ativos - uma estratégia comum muito utilizada por gerentes de carteiras para se protegerem de oscilações bruscas do mercado de ação - pode não ser suficiente para assegurar que o valor dos investimentos não sofram um declínio caso ocorra uma eventual quebra do sistema.
"No mínimo, os gerentes de carteira precisam testar seus modelos e separar contingentes de recursos (financeiros) maiores, reservas ou capital, para cobrir suas perdas", disse.