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Veja o que muda com as medidas do governo


Sexta, 08 de outubro de 1999, 10h13min
Duas das medidas anunciadas ontem fazem parte da meta do governo de arrecadar R$ 2,4 bilhões no próximo ano, para compensar a decisão do STF de vetar a cobrança de aposentadoria dos servidores inativos:

Corte de despesas no Orçamento de 2000


  • Os cortes serão definidos em conjunto com a Comissão Mista de Orçamento do Congresso, com a determinação de economizar R$ 1,2 bilhão. Os cortes recairão principalmente sobre os investimentos. O governo afirma que vai preservar os gastos na área social, mas não especificou quais serão os projetos afetados.

  • Fim da possibilidade de dedução do adicional de um ponto percentual da Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) no pagamento da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido)
    Uma Medida Provisória (MP) editada ontem acaba com a dedução. O objetivo é arrecadar R$ 1,2 bilhão no ano que vem, já que a nova regra passa a vigorar a partir de 1º de fevereiro. Até janeiro, fica valendo a regra de dedução de um ponto percentual da Cofins sobre a CSLL. Para compensar em parte o aumento da carga tributária, a alíquota da CSLL, que estava em 12%, será reduzida para 9%. A atual alíquota foi aprovada no ano passado, entrou em vigor em março último e deveria terminar no final deste ano, mas foi prorrogada até dezembro de 2002. A medida é considerada provisória e deverá valer até que sejam implementadas modificações no regime previdenciário dos servidores públicos.


    APERTO DO FISCO

    O governo também determinará novas regras para eliminar brechas existentes na atual legislação

    Projeto de lei que reformula o Código Tributário Nacional:


    Segundo o governo, o objetivo é acabar com brechas na legislação que permitem às empresas reduzir o valor de impostos pagos. Entre as novidades propostas, está o aumento das restrições para que os contribuintes possam aproveitar ações judiciais para pagar menos imposto ou deixar de recolhê-lo. A proposta limita a um ano o prazo para que as empresas deixem de recolher tributos federais amparadas em liminar judicial. Além disso, estabelece uma nova base para o recolhimento do Imposto de Renda (em vez do lucro, a receita bruta). Na prática, funcionará como um IR mínimo, pois mesmo empresas que tiverem prejuízo recolherão. O alvo são as grandes empresas que apuram o IR com base no lucro real, apresentam prejuízos e, com isso, não recolhem nada ao Fisco.


    Principais mudanças no IR

  • Bolsas de Valores – Sobe de 10% para 20% a alíquota sobre operações em bolsas e fundos de ações feitas por brasileiros, a partir de janeiro de 2002

  • Renda Variável – A alíquota das demais aplicações em renda variável (no chamado mercado de balcão e no mercado futuro) subirá de 10% para 15% em janeiro de 2000 e para 20% em janeiro de 2001]

  • Investimentos de estrangeiros no Brasil em renda variável – Os recursos com origem em paraísos fiscais passarão a ser tributados em 20% em janeiro de 2002 (bolsas ou fundos de ações) ou 15% em janeiro de 2000 e 20% em 2001 (demais aplicações em renda variável)

  • Renda fixa – Para os recursos oriundos de paraísos fiscais, a alíquota passa de 15% para 20% já em janeiro de 2000

  • Remessas – As operações de remessa para pagamento de juros de operações externas serão tributados em 15% no caso dos contratos feitos a partir de janeiro de 2000

  • Operações externas – A alíquota de 15% também será cobrada no pagamento de leasing, rendimentos remetidos para promoção de produtos brasileiros, taxas para solicitação de registro de patentes e direitos, entre outros


    O QUE É COFINS


    É uma contribuição social paga pelas empresas sobre o total das receitas, incluindo todos os serviços prestados ou mercadorias vendidas. A alíquota é de 3%. Os recursos arrecadados devem ser destinados ao financiamento da seguridade social, mas o controle efetivo do governo é questionado.
       

    Fonte: Zero Hora/Agência RBS

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