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A
R T E
Desenhos (Instituto Moreira Salles, São Paulo) - Na extensa
obra do pintor paulista Candido Portinari (1903-1962), o desenho
ocupou uma posição de destaque superando o status de simples estudo
para telas e painéis. Mesmo porque, com os gradativos problemas
de intoxicação por tintas, o artista nascido em Brodósqui passou
a desenhar com maior frequência, inclusive para ilustração de trabalhos
literários. A atual exposição, com obras do acervo do instituto,
mostra 15 exemplares do melhor estilo social do pintor que se expressava
pelas mais diferentes técnicas com resultados sempre brilhantes.
Estão lá, em traços rápidos e expressivos, retirantes, cangaceiros,
seringueiros, carregadores de cana e bandeirantes que fizeram história.
Sem falar das cenas cotidianas de Personagens do convés e
No cemitério, menos épicas, mas igualmente grandiosas. (I.C)
Vale a pena
T
E A T R O
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| Foto: DIVULGAÇÃO/GUGA MELGAR |
Relax, it’s sex (Teatro Café Pequeno, Rio de Janeiro) -
A fórmula continua a mesma de seus recentes espetáculos e o diretor
Wolf Maya não quis subvertê-la. Alguns atores globais, como Danielle
Winits, interpretam esquetes cheios de piadinhas de duplo sentido
e a lotação da casa está garantida. Tudo bem, é puro entretenimento,
mas o resultado desta vez é constrangedor. Diálogos de humor raso
se sucedem em todas as cenas, como a do tarado que liga para viúva
pensando em satisfazer suas necessidades sexuais através de conversas
telefônicas, ou a da jovem noiva que entra em pânico na noite de
núpcias e se aconselha com a mãe desbocada. No geral, salvam-se
apenas alguns números musicais, como a versão de Black men,
da peça Hair. Além de desligar os celulares, a platéia deveria
desligar os cérebros. (C.M.)
Fuja
C
I N E M A
O outro lado de Hollywood (Filmark) - Gore Vidal escreveu
o argumento do vitorioso filme Ben-Hur (1959), imaginando
que o personagem-título, vivido por Charlton Heston, quando jovem
havia sido amante de seu amigo e futuro rival Messala (Stephen Boyd).
Com a cumplicidade de Boyd, a cena do encontro entre os dois já
adultos foi feita sob olhares bem denunciadores, o que hoje torna
a passagem bem divertida. Principalmente porque Heston jamais soube
das reais intenções de bastidores - ele nunca concordaria - até
o lançamento do ótimo documentário dirigido por Rob Epstein e Jeffrey
Friedman, baseado no livro de Vito Russo. Trata-se de um inventário
da participação - explícita ou não - de gays e lésbicas nas telas,
recheado de depoimentos elucidativos. A dupla diretora foi muito
feliz no seu intento. Não só rememorou, com cenas antológicas os
maiores clássicos do cinema, como mostrou o tratamento que os personagens
recebiam de acordo com os rígidos códigos morais de cada época.
(L.C.)
Assista até o fim
L
I V R O S
Guia da MPB em CD (Jorge Zahar Editor, 368 págs., R$ 21,50)
- Veterano militante da imprensa musical do País, o crítico catarinense,
radicado no Rio, Antonio Carlos Miguel se arriscou numa tarefa inglória,
como ele mesmo admite. Quis catalogar em CD o que há de melhor na
genuína música popular brasileira. Miguel fez uma espécie de discografia
selecionada de 148 cantores e compositores, apresentando pequenas
e substanciosas resenhas de seus discos. É um bom guia, mas o problema
é que boa parte das indicações raramente é encontrada nas lojas
abarrotadas de bobagens. (C.F.)
Leia com atenção
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