 28 de agosto de 1996 | Índice | Abertura| Capa | Cartas | Arquivo | Expediente

CINEMA
DIVULGAÇÃO
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Liv: a virgem que perturba intelectuais cinquentões
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Beleza roubada (Rio de Janeiro e São Paulo) - O mais recente filme do diretor italiano Bernardo Bertolucci tem a delicadeza de uma jóia rara. Rodado na deslumbrante região da Toscana, marca o retorno do cineasta à Itália depois do término da sua trilogia oriental, composta por O último imperador, O céu que nos protege e O pequeno Buda. Beleza roubada narra o desabrochar de uma adolescente americana, Lucy, virgem aos 19 anos, interpretada pela bela e surpreendente atriz Liv Tyler, filha do roqueiro Steven Tyler, da banda Aerosmith. Após a morte da mãe, Lucy vai para a Itália passar férias na casa de amigos da família. Lá, encontra seu verdadeiro pai e descobre o amor. Com sua vitalidade e frescor juvenis, ela perturba a plácida rotina de um grupo de artistas e intelectuais cinquentões, entre eles um escritor à beira da morte, vivido por um excepcional Jeremy Irons. Em tom intimista, Bertolucci lança um sensível olhar sobre a reconciliação de gerações, enquanto mostra uma adolescente virando mulher.
NÃO PERCA
LIVROS
Mulher fatal (Nova Alexandria, 148 págs., R$ 17) - O escritor carioca radicado em São Paulo Jorge Miguel Marinho revela neste livro de contos a qualidade de exprimir os sentimentos mais íntimos de suas personagens através de imagens inesperadas e certeiras. Ele traça diálogos fantásticos entre mulheres famosas como Edith Piaf, Josephine Baker, Marilyn Monroe e Elis Regina e outras anônimas que só aparentemente não têm nada de excepcional como uma prostituta da zona leste de São Paulo. O autor derruba mitos para trazer à tona a beleza da banalidade. Em Flores do mal, Baudelaire diz que feliz é aquele que compreende sem esforço a linguagem das flores e das coisas mudas. Jorge Miguel Marinho é feliz.
LEIA COM ATENÇÃO
DISCOS
Lory F. Band (Cogumelo Records) - O destino é mesmo irônico com suas vítimas. Pouco antes de ser levada pela Aids, aos 34 anos, em 1993, a compositora, cantora e baixista gaúcha Lory Finocchiaro - irmã da também cantora e compositora Laura Finocchiaro - entrou num estúdio e gravou várias de suas músicas. A fita ficou arquivada e só agora se materializa num delicioso CD. Sem exageros, Lory tinha tudo para ser uma nova Rita Lee. Basta ouvir a faixa Forças. É rock básico, com letra irônica. Infelizmente Lory não viveu o suficiente para dar sequência ao seu trabalho. Mas todos os roqueiros brasileiros agradecem por ela ter deixado este testemunho de vigor musical.
OUÇA COM ATENÇÃO
Long ago & far way, com Charlie Watts (Virgin) - Para quem não sabe, Charlie Watts não é apenas o baterista e a alma rítmica dos Rolling Stones. Também é um sofisticado músico de jazz. Paralelamente ao trabalho com seus velhos companheiros roqueiros, ele lidera um bem entrosado quinteto que chega agora ao seu quarto CD. O repertório tem obras de compositores geniais como os irmãos Gershwin e Cole Porter. Acompanhado de 24 músicos da London Metropolitan Orchestra, Watts e seus músicos conseguiram delicadas interpretações de standards do porte de In a sentimental mood, de Duke Ellington, conduzidas pela voz suave de Bernard Fowler. Mick Jagger tem razão. Charlie Watts é realmente elegante.
OUÇA COM ATENÇÃO
TEATRO
E continua...tudo bem, com Glória Menezes e Tarcísio Meira (Teatro Maria Della Costa, São Paulo) - A continuação da peça Tudo bem no ano que vem, com direção de Marco Nanini, traz de volta aos palcos a história dos amantes George e Doris, que durante mais de duas décadas se encontram uma vez por ano no mesmo hotel. Agora o par está amadurecido e comemora bodas de adultério. Com tiradas cômicas e alguma pieguice, o texto é apenas um divertimento leve, que conta com o charme de Glória e Tarcísio.
VÁ SE TIVER TEMPO
ARTES PLÁSTICAS
CINEMA
DIVULGAÇÃO
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Piza: relevos e recortes
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Relevos, de Arthur Luiz Piza (Gabinete de Arte Raquel Arnaud, São Paulo) - Radicado em Paris desde 1951, o artista paulistano volta a expor no Brasil depois de ser homenageado com uma grande retrospectiva em 1994, no MAM paulista. São 36 novos trabalhos, entre desenhos, relevos e cortes e recortes feitos com incisões sobre papel. Hoje, dispostos em constelações geométricas, os relevos de Piza constituem a marca de uma obra sutil e original.
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