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O salto do Poder Feminino
Um batalhão de 70 mil candidatas concorrem
a vereadora em todo o País e, nas capitais,
22 disputam a prefeitura

Edição 1409, de 02/10/1996


A reportagem

Na véspera das eleições de outubro de 1996, a revista ISTOÉ publicou uma reportagem que chamava atenção para um "arrastão de saias" que tomava conta do País. Nada menos que 70 mil candidatas à vereadora disputariam as eleições no dia seguinte e 22 mulheres almejavam assumir o comando da administração de 13 capitais brasileiras. Entre elas, a ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina, que sonhava em repetir o mais alto vôo de uma mulher na história política brasileira desde a proclamação da República. Para tanto, precisaria vencer a corrida contra o então senador tucano José Serra para ver quem disputaria o segundo turno contra Celso Pitta, o candidato do então prefeito Paulo Maluf.

Pois é, nem tudo são flores no caminho dessas candidatas. Em Belém, a deputada peemedebista Elcione Barbalho despencava nas pesquisas por conta do vale-tudo da campanha eleitoral. Ela não escapou dos ataques pessoais de seu principal adversário, o ex-secretário de Finanças Ramiro Bentes (PDT). "Não vote em Alcione. Nem o marido quis ficar com ela", provocava Bentes, referindo-se ao ex-marido da deputada, o senador Jader Barbalho. Denúncias de racismo publicadas em panfletos e distribuídas em Campinas, no interior paulista, infernizaram a vida da deputada estadual Célia Leão (PSDB), candidata à Prefeitura da cidade naquele ano. A deputada Rita Camata (PMDB) concorria à Prefeitura de Vitória e a ex-deputada Ângela Amin (PPB) liderava a corrida pelo comando da capital de Santa Catarina.

Mas era no Nordeste, onde as mulheres exibiam o maior cacife eleitoral. Em Natal, as candidatas Wilma de Faria (PSB) e Fátima Bezerra (PT) ameaçavam os políticos tradicionais do Rio Grande do Norte. Duas de três candidatas na disputa pela prefeitura de João Pessoa estavam na briga para enfrentar, num possível segundo turno, o candidato peemedebista Cícero Lucena; no páreo pelo comando de Maceió, em Alagoas, as candidatas Kátia Born (PSB) e a petista Heloísa Helena. Para que as mulheres tivessem maior chance de disputar eleições, foi aprovada uma lei de autoria da então deputada federal Marta Suplicy, garantindo às mulheres 20% das vagas nas chapas eleitorais.

O que houve depois

Hoje, as mulheres representam mais da metade do eleitorado nacional: pouco mais de 55 milhões de eleitoras no País, contra 54 milhões de homens, o que não quer dizer que esta proporção corresponda a sua representatividade na política. Há quatro anos, foram eleitas 187 prefeitas e 4.338 vereadoras. Agora, 315 mulheres governam cidades e municípios e contamos com 6.999 vereadoras espalhadas pelo território brasileiro. Na Câmara dos Deputados, a representação feminina corresponde a apenas 6,6%

Nas últimas eleições, a "Dona Marta do PT" venceu ninguém menos que Paulo Maluf na capital paulista, depois de driblar ataques pessoais do candidato. A prefeita Ângela Amin (PPB) foi reeleita em Florianópolis, capital do Estado governado por seu marido, Esperidião Amin. Luciana Santos (PCdoB) levou a Prefeitura de Olinda, Pernambuco.

Em Brasília, segundo informações da Agência Câmara, a deputada Ana Maria Corso (PT-RS) anunciou na quarta-feira 7, em plenário, a apresentação feita no dia 21 de fevereiro, da proposta que reserva às mulheres cota mínima de 30% para os cargos da Mesa e das presidências das comissões permanentes. A bancada feminina do Congresso entregou também ao presidente da Câmara, deputado Aécio Neves, um documento contendo projetos de seu interesse. Entre eles, o da ex-senadora Benedita da Silva (PT-RJ) e outro da deputada Luiza Erundina (PSB-SP), que estabelece a publicação anual de atividades relativas às mulheres. Até a próxima semana serão realizados uma série de eventos no Congresso com objetivo de promover reflexões sobre os direitos e as conquistas da mulher.

 

 

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